Galeria Nacional do Palazzo Spinola

Galeria Nacional do Palazzo Spinola é um museu estadual que fica dentro de um prédio nobre construído no final do século XVI, no centro histórico de Genova.

Também conhecido como Palazzo Spinola di Pellicceria, ele fica na Piazza di Pellicceria, e é um dos patrimônios da Unesco.

No final da década de 1950, os últimos proprietários privados, Paolo e Franco Spinola, doaram a residência ao Estado italiano para que se tornasse um local expositivo destinado ao público.

Dentro deles, ficam afrescos e decorações dos séculos XVI e XVII, além de inúmeras obras de arte relevantes. No terceiro andar, fica a Galeria Nacional da Liguria, onde ficam expostas algumas aquisições estaduais.

Quem quis a construção desse prédio foi Francesco Grimaldi, no final do século XVI. Desse período, ainda permanecem os afrescos dos tetos dos salões dos dois andares nobres. A família Grimaldi fica ali até metade do século seguinte, quando foi vendida para Ansaldo Pallavicino.

Com Pallavicino, foram feitas algumas alterações na arquitetura. Com a morte desse proprietário, o prédio passou ao filho, que deixou para a irmã, que se casou com Gerolamo Doria.

O herdeiro desse casal morreu precocemente e o patrimônio ficou para a irmã de Doria, casada com Niccolò Spinola. Este casal fez um projeto de reestruturação da propriedade, em especial no segundo andar nobre, em estilo rococó.

Esse casamento também deixa a propriedade para a última família a ser dona do prédio, e da qual o nome foi retirado e pelo qual é conhecido até hoje.

Toda a família Spinola ficaria responsável pelas últimas modificações sofridas pelo prédio e também pelo enriquecimento da coleção particular. Com Giacomo Spinola, foram feitas muitas restaurações.

Como os últimos andares perderam suas características históricas (durante a Segunda Guerra), os dois marqueses e últimos proprietários sugeriram que ali ficasse a Galeria Nacional da Liguria, um lugar para expor as aquisições destinadas a Liguria.

Nesse ambiente, ficam expostos os trabalhos de relevância máxima das doações de Spinola que por motivos de conservação não poderia ficar expostos nos ambientes históricos (os dois primeiros andares), juntamente com aquisições do Estado para documentar a riqueza do pintura da região da Ligura.

Galeria Nacional do Palazzo Spinola fica aberta de terça à sexta, das 8:30 às 19:30; aos sábados, das 8:30 às 22:30 (até final de outubro); domingos e feriados, das 13:30 às 19:30. É fechada às segundas. O ingresso custa €6,00 e todo primeiro domingo do mês, a entrada é gratuita.

Ela fica na Piazza Pellicceria, 1, e fica a cinco minutos a pé do famoso Aquário de Gênova ou a 10 minutos do Palazzo Ducale.

Foto: Galeria Nacional do Palazzo Spinola (Reprodução)

Onde ir no Ferragosto?

O Ferragosto é simplesmente o maior feriado italiano. Se você não sabe o que é, leia esse post que escrevi há alguns anos.

Como o feriado é muito popular, é sempre bom planejar com antecedência porque a Itália sempre para (literalmente) nesse dia.

Aqui vão algumas dicas de lugares:

Rimini

Rimini é um verdadeiro clássico, principalmente quando pensamos em Ferragosto. Por Rimini entende-se toda a reviera da Romagna e o lugar serve tanto para amigos, quanto para casais ou famílias com filhos ou idosos. Na noite do Ferragosto, sempre acontece um show pirotécnico.

Ostia

Falei de Ostia não faz muito tempo nesse post aqui. É o local preferido dos romanos ou daqueles que moram na região do Lazio e não conseguem ir muito longe. As praias são longas e as opções também. É também muito fácil chegar a Ostia, e o local acolhe bem jovens, adultos e famílias.

Salento

Considerado o Caribe italiano, Salento fica na região da Puglia, e chamam atenção suas águas, principalmente as das praias de Otranto. Durante o Ferragosto, além do mar, os turistas podem curtir festas tradicionais, como a Notte delle Spade.

Riva del Garda

Para quem busca uma opção que não seja mar, o lago de Garda é uma boa opção. Tradicionalmente, no dia 15 de agosto, existe uma procissão muito famosa para a Virgem Maria. Em seguida, acontecem shows e muitas vezes, um passeio pelo lago.

Dolomitas

Essa é uma outra opção para quem quer fugir das praias lotadas. Passar o feriado nas montanhas pode ser uma ótima opção para famílias e significa conhecer paisagens de tirar o fôlego, além de estar cercado de natureza. Quem conhece as Dolomitas, não pode pensar diferente!

Fotos: Opções de Ferragosto (Reprodução)

Roberto Saviano

Roberto Saviano nasceu em Nápoles em 22 de setembro de 1979. Ficou mundialmente famoso após lançar seu romance de estreia Gomorra, no qual contou sobre a realidade da Camorra e do crime organizado na região da Campania.

Após Gomorra ser lançado, foi jurado de morte pelos membros da Camorra e desde 13 de outubro de 2006, vive sob proteção policial.

Atualmente, colabora para diversos jornais tanto italianos quanto internacionais: l’Espresso, La Repubblica, Washington Post, New York Times, Newsweek, TIME, El Pais, Die Zeit, Der Spiegel, Expressen, The Guardian e The Times.

Nascido em Nápoles, é filho de um médico, mas cresceu em Casal di Principe, na província de Caserta. Frequentou a faculdade de Filosofia na Università degli Studi Federico II em Nápoles. Começou a carreira jornalística em 2002, escrevendo para revistas.

Dois anos depois, mudou-se para Nápoles para observar mais de perto os fenômenos criminais da cidade e logo em 2005, alguns artigos seus voltados para o crime organizado da Camorra começaram a surgir.

Em 2006, publicou o romance inspirado em situações reais, Gomorra, e do qual também se extraiu o filme homônimo.

Em 2014, foi convidado para ser aluno bolsista durante um semestre na Universidade de Princeton para fazer um curso sobre as relações da máfia com a política e a imprensa. É nesse curso que acaba se envolvendo com a história do tráfico da cocaína, tema de seu livro em ZeroZeroZero.

Mas nem tudo são flores, já que Saviano foi acusado de plágio tanto em Gomorra quanto em ZeroZeroZero. Em 2013, o escritor e a editora Mondadori foram condenados por plágio de algumas páginas do livro Gomorra, que foram reproduções não autorizadas de dois artigos de jornais locais, o Cronache di Napoli e Corriere di Caserta.

Os dois tiveram que pagar um total de 60 mil euros pelas reproduções ilegais. Mas as denúncias de plágio não se limitaram ao seu romance mais famoso, foram também a artigos que ele publicou e seu outro romance ZeroZeroZero, tendo tirado trechos até mesmo do Wikipédia.

Em 2016, saiu seu terceiro romance, La Paranza dei Bambini. Esse é um romance totalmente fictício, mas bastante inspirado na realidade da Camorra dos anos de 2010. O livro foi adaptado para o teatro e também virará filme.

Nessa entrevista feita com Saviano em fevereiro de 2014, em decorrência do lançamento de Zero Zero Zero no Brasil, ele diz claramente ter se arrependido de arriscar sua vida para lançar Gomorra.


Gostei muito de Gomorra e estou bastante interessada em ler Zero Zero Zero. Gomorra foi um romance muito arriscado, mas que certamente abriu os olhos do mundo para todo o poder da máfia italiana.

Foto: Roberto Saviano (Reprodução)

Villa Borghese

Villa Borghese é uma das maiores áreas verdes de Roma, o quarto maior parque da cidade, ficando atrás de Valle della Caffarella, Villa Doria Pamphilj e Villa Ada.

O local era propriedade da família Borghese desde o final do século XVI e a área foi se ampliando conforme a compra de novas áreas após passar para as mãos do cardial Scipione Borghese. A ideia era construir o maior jardim de Roma desde a antiguidade.

Vários arquitetos trabalharam nas construções dos prédios. Gianlorenzo Bernini também seria um deles, já que Scipione foi seu padrinho.

A vila foi terminada em 1633.

No século seguinte, foram feitos trabalhos de transformação em algumas áreas, mas principalmente no parque com a organização do jardim do lago, obra do arquiteto Antonio Asprucci e seu filho. Todo o jardim passou a ser ornado com fontes.

No século XIX, a villa foi ampliada com a compra de alguns terrenos perto das portas de Roma, que foram integradas à área. Também neste século, uma grande parte do jardim formal foi transformado um jardim à inglesa.

Naquela época, os jardins eram abertos para hospedar festas populares de canto e dança.

Todo o complexo foi comprado pelo governo italiano no início do século XX e cedido à cidade de Roma logo em seguida para que fosse aberto ao público.

O nome mudou com a compra: passou a ser chamado Villa Comunale Umberto I, antigo Borghese, mas os romanos nunca pararam de chamá-la Villa Borghese.

O parque contém alguns prédios e são nove entradas. As mais famosas são a da Porta Pinciana, vindo da escadaria de Trinità dei Monti, perto da Piazza di Spagna, a da Piazza del Popolo e no Piazzale Flaminio.

O prédio conhecido como Pinciana é a atual sede da Galleria Borghese e foi construído pelo arquiteto Flaminio Ponzio. O prédio era destinado para abrigar as esculturas de Bernini, entre eles o Davi, e Apolo e Dafne, e as obras de Antonio Canova, além de pinturas de Ticiano, Rafael e Caravaggio.

Ligada a Villa Borghese antigamente ficava a Villa Giulia, construída no século XVI como residência do Papa Giulio III, que atualmente hospeda o Museu Nacional Etrusco. No entanto, essa vila está atualmente fora do perímetro verdadeiro do parque.

Também estava ligada a Villa Medici, sede da Academia Francesa de Roma.

Alguns dos prédios espalhados pelos jardins da Villa Borghese na rua das Belas Artes foram feitos em ocasião de uma exposição internacional que aconteceu em Roma em 1911 para comemorar os 50 anos da união da Itália.

Também fica dentro da vila o zoológico de Roma, transformado recentemente em Bioparque e no Museu Cívico de Zoologia. A “Casina delle Rose” é sede da Casa do Cinema. É também no território desta que se encontra o “cinema dei piccoli” (o cinema dos pequenos), a menor sala de cinema do mundo.

Em 2003, foi inaugurado o Silvano Totí Globe Theatre, uma reconstrução do Globe Theatre de Shakespeare que existe em Londres.

São muitos os prédios do Villa Borghese. Entre os mais importantes estão: Aranciera, Casale Cenci-Giustiniani, Casino del Graziano, Casina delle Rose, Casina del Lago, Casina dell’Orologio, Casino di Raffaello, Casino Nobile, Fortezzuola, Galoppatoio, Meridiana, Uccelliera, Silvano Totí Globe Theatre, Cinema dei Piccoli, Casina Valadier, Villa Lubin e Casino degli Uffizi.

Existem também vários jardins: Giardino del Lago, Giardino Piazzale Scipione Borghese, Giardini Segreti, Giardino di Valle Giulia, Parco dei Daini e Valle dei Platani. As fontes da villa também são muitas.

Os museus que a Villa Borghese abriga são esses: Galleria Borghese, Museu Canonica, Museu Carlo Bilotti, Galeria Nacional de Arte Moderna, Museu Nacional Etrusco de Villa Giulia, Museu Cívico de Zoologia, Casa do Cinema, Casina di Raffaello, Globe Theatre e o Bioparque.

Pode-se chegar à Villa Borghese através da linha A do metrô nas estações Flaminio e Spagna ou com os trams 2, 3 ou 19. Mas também é bem fácil chegar até ela a pé.

Reserve um dia inteiro se quiser conhecê-la bem, mas uma manhã ou uma tarde na Villa Borghese pode ser um passeio bastante agradável também para quem quer fugir um pouco da loucura da cidade!

A Villa, como um parque, funciona 24 horas. Deve-se prestar atenção somente no horário de funcionamento dos museus.

Fotos: Villa Borghese por Una lucciola…