Castelvecchio em Verona

Castelvecchio, originalmente chamado de Castello di San Martino in Aquaro, é provavelmente o monumento militar mais importante da cidade de Verona, na região do Vêneto.

O nome original é por conta de uma igreja que existia nessa região onde foi erguido o castelo, que era do século VIII, dedicada a São Martim. O nome de “castelo velho” surgiu somente depois da construção dos castelos de San Felice e de San Pietro.

A função principal e essencial desse castelo era funcionar como defesa urbana às margens do rio Adige. A ponte que atravessa o rio, ligada ao castelo, era de uso exclusivo e servia como via de fuga ou de acesso de ajuda que vinha da Valle dell’Adige.

Todo o castelo foi pensado como sistema defensivo e a torre principal era o centro de controle visual da cidade, tanto à direita quanto à esquerda do rio Adige.

Quem quis a construção do castelo em definitivo foi Cangrande II della Scala na metade do século XIV. Os della Scala, conhecidos também como família scaligera, foram uma dinastia que governou Verona por 125 anos, entre os séculos XIII e XIV.

O projeto ficou por conta de Guglielmo Bevilacqua e nesse mesmo período foi construída a ponte, hoje conhecida como Ponte Scaligero.

Com o passar dos anos e a construção do castelo de San Pietro, a função primária defensiva do Castelvecchio diminuiu, com grande parte da responsabilidade de proteção da cidade e de suas muralhas passando para o castelo mais novo.

Mais para frente, o castelo foi usado como residência, além de reserva de arsenal militar. Uma parte dele também era usada como cárcere. No final do século XVIII, passou a ser usado como um instituo de formação de engenheiros militares.

Este século também foi de muitas mudanças na arquitetura do castelo, sobrando até para o Arco dei Gavi (que fica ao lado), sendo desmontado pelos franceses.

O século XX foi um século de transformações, com a Torre do Relógio sendo reconstruída e o Arco dei Gavi, restaurado.

Atualmente, dentro do Castelvecchio fica uma dos museus mais importantes da cidade de Verona, o Museu do Castelvecchio, que foi restaurado usando critérios mais modernos entre os anos de 1958 e 1974 por Carlo Scarpa.

São cerca de 30 salas que expõem esculturas e pinturas italianas e estrangeiras, armas antigas, cerâmicas e miniaturas de antigos sinos da cidade.

Para visitar o castelo, na sua parte externa, não é preciso pagar nada. Para visitar o museu, o ingresso custa €6,00. De outubro a maio, no primeiro domingo do mês, o ingresso custa apenas €1,00 e com o VeronaCard, a entrada é gratuita.

O Museu do Castelvecchio abre às segundas, das 13:30 às 19:30, e de terça a domingo, das 8:30 às 19:30. O complexo fica no Corso Castelvecchio, 2, no centro histórico de Verona.

É um lugar bem interessante, que para mim, vale a visita.

Fotos: Castelvecchio por Una lucciola…

Decameron: contos selecionados

Sempre tive a impressão de que Decameron era um livro bastante sem vergonha. Depois de ver as ilustrações dessa edição, achei mais ainda.

Para minha surpresa, as imagens e a fama dessa obra provavelmente são mais explícitas do que suas novelas contam.

Decameron é dividido em 10 jornadas com 10 novelas cada: um total de 100 novelas. Aqui, nessa edição comemorativa dos 700 anos de nascimento de Giovanni Boccacio, temos 10 novelas selecionadas.

O responsável pela seleção e tradução é Maurício Santanas Dias, o mesmo que selecionou e traduziu as 40 Novelas de Luigi Pirandello (que achei que já tinha comentado por aqui, mas vi que não. Ficará para um próximo post).

Maurício foi bastante cuidadoso para nos apresentar através de um microcosmo o macrocosmo de Decameron. Uma tarefa bastante difícil, mas que, para mim, é obtida com sucesso. Aliás, Maurício é um especialista em literatura italiana.

Decameron nunca foi uma obra erótica ou pornográfica, onde o sexo impera.

Claro, temos cenas de sexo, mas pelo menos nessa seleção apresentada, nunca de forma totalmente explícita. Nada que não estejamos acostumados.

E o sexo é importante porque é apenas uma das formas que Bocaccio se utiliza para nos contar sobre as várias facetas humanas; normalmente, as mais sacanas.

O resultado são histórias divertidas, que nos fazem rir de nós mesmos e da nossa cara de pau.

Temos desde o homem que queria ser maior que seu inimigo e para tanto, matá-lo, mas que se redime ao final da história, até o cara de pau que se esconde em um convento, fingindo que é mudo, apenas para dormir com as freiras.

Nesses momentos, percebemos a hipocrisia humana, e o fundo de verdade nas histórias que à princípio podem parecer absurdas, não são.

Essa edição da Cosac Naify é um deleite. Lindíssima! A seleção é tão bem feita que nos faz querer conhecer a obra na íntegra.

E é o que pretendo fazer!

Foto: Decameron de Giovanni Boccacio por Una lucciola…

Piazza San Carlo

Piazza San Carlo é provavelmente a mais importante da cidade de Turim, no Piemonte. Também é conhecida como “a sala de estar” e liga outras duas importantes praças, a Piazza Castello e a Piazza Carlo Felice.

Com formato retangular, 168 metros de comprimento e 76 metros de largura, são mais de 12 mil metros quadrados e cujo aspecto atual é do século XVII, um projeto de Carlo di Castellamonte. Ao seu centro, surge uma estátua de Emanuele Filiberto, feita em 1838.

A praça está circundada de prédios históricos.

Antes de ser construída, no século XVII, o local ficava fora das muralhas de proteção da cidade, ainda de origem romana e depois reforçada pelos franceses. Quando a capital foi transferida para Turim, em 1563, ficou decidido expandir a cidade para o sul, o Borgo Nuovo.

No começo do século XVII, o arquiteto Castellamonte foi chamado para projetar a via Nova, atual via Roma, e esta praça.

Inicialmente, ela era conhecida como Piazza Reale. Os trabalhos de construção levaram 20 anos. Os pórticos foram construídos depois da inauguração. A função da praça era funcionar como mercado.

Depois disso, a praça ganhou a função de passagem de soldados da Piazza Castello até o Mastio della Cittadella. Neste período, ela ficou conhecida como Piazza d’Armi e durou até o final do século XVIII. Nessa época também, a praça foi atingida por três golpes de canhão.

Terminado o uso militar da praça, ela passou a ser conhecida como a conhecemos hoje: Piazza San Carlo. É também conhecida por suas igrejas “gêmeas” do lado meridional, mas que não são bem gêmeas: a da direta foi construída primeiro em 1619. Em 1939, a da esquerda foi construída.

Ambas foram construídas sem fachadas, que só foram feitas em 1716 (da esquerda) e em 1835 (da direita) por Juvarra e Ferdinando Caronesi, respectivamente.

Caffè San Carlo

Além dos prédios históricos que circundam a praça, ela também é bastante famosa (como a cidade de Turim inteira) por seus cafés históricos, que já foram frequentados por membros da realeza, nobres e escritores.

O mais histórico de todos é o que leva o mesmo nome da praça, o Caffè San Carlo, o primeiro lugar em toda Itália a ter iluminação a gás. O Caffè Torino também é importante por ter sido frequentado por Cesare Pavese.

Touro em Turim (Reprodução)

É neste café que fica o famoso Touro, feito na entrada do café: como o touro em Milão, esfregam-se os pés nos órgãos do touro para ter sorte (pobre touro! rs). Não achei esse coitado quando fui, rs.

Uma praça belíssima que merece uma passada e uma pausa para o café!

Fotos: Piazza San Carlo por Una lucciola…

Alessandro Baricco

Alessandro Baricco é um escritor, ensaísta, crítico musical e diretor italiano. Ele nasceu em Turim, em 25 de janeiro de 1958.

Formado em Filosofia, começou a carreira publicando alguns ensaios de crítica musical – a paixão pela música clássica veio dos pais -, entre os anos de 1988 e 1992, ligando a música com a modernidade.

Ainda escreve críticas musicais para a Reppublica e La Stampa.

É somente no começo dos anos 1990 que ele se afirmou como escritor, publicando os primeiros romances: Castelli di Rabbia (1991) e Oceano Mare (1993). Nesse mesmo período também apresentou alguns programas de TV, ligados à música.

Em 1994 lançou Novecento. Un Monologo, que quatro anos mais tarde ganhou uma versão cinematográfica dirigida por ninguém menos que Giuseppe Tornatore, mas com o título de “La Leggenda del Pianista Sull’oceano”.

Em 1995, junto com outros sócios, inaugurou a Scuola Holden, em Turim, onde os alunos estudam técnicas de narração.

Ainda na década de 1990, lançou algumas coletâneas com suas colunas para o Reppublica e La Stampa, além de publicou Seta em 1996, um dos seus romances mais populares. Em 2004, escreveu uma reinterpretação dos épicos Ilíada de Homero.

Três anos mais tarde, trabalhou na produção do filme Seta juntamente com o diretor franco-canadense François Girard.

Seu último romance foi La Sposa Giovani, lançado em 2015.

Apesar de receber críticas severas por seus trabalhos literários, Baricco já faturou alguns prêmios, como o Viareggio (1993) por seu romance Oceano Mare, o Prix Médicis Étranger (1995) por Castelli di Rabbia, e o prêmio Cesare Pavese (2012) por Tre Volte all’Alba.

De Baricco li apenas Seta, que considero um romance bastante enigmático, mas delicado como a seda. Tenho vontade de ler outros trabalhos dele.

Foto: Alessandro Baricco (Reprodução)

Assim É (Se Lhe Parece): peça de teatro

Atenção, paulistanos!

A peça de Luigi Pirandello, Assim É (Se Lhe Parece) está em cartaz desde o começo do mês de junho e fica até dia 25 de junho no Teatro Itália. A peça é em comemoração aos 150 anos de nascimento de Pirandello e os 100 anos da primeira montagem dela.

A peça é dirigida por Marco Antônio Pâmio e mistura o famoso humor pirandelliano com ironia, suspense e drama para discutira a natureza da verdade. A peça estreou em 2014 e recebeu alguns prêmios de melhor diretor, melhor ator e melhor atriz.

Assim É (Se Lhe Parece) conta a história de uma família que vai morar no interior da Sicília após sobreviver a um terremoto. Logo após a mudança, passam a chamar atenção dos cidadãos porque mãe e filham moram em casas separadas.

Até aí, tudo certo.

Só que a mãe alega que a filha mora em outra casa por conta da possessividade do marido. Já o marido diz que a filha morreu e a sogra tem problemas mentais e, por isso, acredita que a filha ainda esteja viva.

Já li a novela que deu origem a essa peça de Pirandello e posso afirmar que é divertidíssima.

As apresentações acontecem sexta e sábado, às 21:00, e domingo às 19:00. O Teatro Itália fica na Av. Ipiranga, 344 – República, São Paulo. A capacidade do local é para 274 lugares e o evento não é recomendado para menores de 12 anos.

Os ingressos custam R$60,00 (inteira). Para os alunos do Instituto Cultural Ítalo Brasileiro (ICIB), ele sai por R$20,00. Para informações sobre ingresso, ligue para (11) 2122-2474.

 

Foto: Assim É (Se Lhe Parece) (Reprodução)