Se Um Viajante Numa Noite de Inverno

Se Um Viajante Numa Noite de Inverno é um daqueles romances geniais. Logo de cara, pelo capítulo de abertura, percebemos que ele será diferente.

Italo Calvino é genial, sempre achei isso.

Nesse livro, temos uma verdadeira inception. É como o filme, “A Origem”, só que ao invés de entrarmos nos níveis do sonho, entramos nos níveis da leitura.

Se é que é possível, o livro diferentemente de quase todos os outros é narrado em 2ª pessoa: nem em 1ª nem em 3ª, mas Italo dialoga o tempo todo com você, Leitor.

A premissa do livro parece até banal: um Leitor vai começar o novo romance de Italo Calvino, Se Um Viajante Numa Noite de Inverno, e quase chega lá pela página 30, percebe que houve um erro na montagem do livros e as páginas se repetem infinitamente até o fim.

E é nessa busca que ler o romance por inteiro, que o Leitor acaba começando outros nove romances sem finais, intercalados com o diálogo de Italo Calvino com nós, leitores.

É simplesmente genial!

Mas é preciso ficar atento para os detalhes e as dicas espalhadas entre um novo início de romance e outro para saber onde Italo realmente quer chegar…

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As muralhas de Sassari

A cidade de Sassari, na ilha da Sardenha, ainda conta com alguns restos de fortificações da era medieval, que circundavam totalmente o centro histórico e eram intercaladas por torres de observação e defesa, além das portas de entrada.

Acredita-se que os restos sejam do século XIII e os trabalhos de restauração continuaram até o final do século XIX. É possível visitar somente externamente o que permaneceu.

O abatimento das muralhas foi feito na segunda metade do século XIX. Na verdade, com a unificação da Itália, os Savoia queriam que a cidade perdesse qualquer referência ao estilo piemontese, e para tanto, demoliram o castelo da cidade, e fizeram a expansão do centro.

Quando a cidade de Sassari foi fundada, a construção das muralhas era bastante necessária e elas permaneceram até o século XIX por diversos motivos, como por exemplo, proteção da guerra e isolamento de doenças.

Os muros começaram a ser construídos no século XIII por Pisani. A forma era pentagonal e 36 torres quadradas ficavam distribuídas entre as muralhas. Existia uma única em formato cilíndrico, chamada Turondola.

O número de portas era quatro: Sant’Antonio ao norte, Utzeri ao oeste, Castello ao sul e Rosello ao leste. Ainda no século XIII, ao norte da muralha, foi erguido o Castelo, mais tarde destruído pelos Savoia, e do qual hoje só restam duas plantas subterrâneas visíveis.

Das muralhas, estão conservados cerca de 200 metros e apenas seis torres.

As torres não são visitáveis e as mais famosas, das seis sobreviventes, são: a Turondola – a única cilíndrica, composta de dois andares, e fica ao lado da Universidade de Sassari -, a de Porta Sant’Antonio – de planta quadrada e perfeitamente conservada -, e a de Corso Trinità.

Das quatro portas, ainda foi feita uma mais tarde, denominada Porta Nuova. Todas as cinco foram abatidas. Não existem restos de nenhuma delas.


Realmente uma pena que muito da história dessa cidade não tenha sido preservado!

Foto: Torre da Porta de Sant’Antonio (Reprodução)

Villa Ormond

Originalmente, o local se chamava Villa Rambaldi, hoje o Villa Ormond é um local rico de plantas exóticas e raras, e o nome vem da família a quem ela pertencia, a do doutor Ormond, um empresário suíço.

Juntamente com sua mulher, uma poetiza francesa, eles moravam na então Villa Rambaldi, que acabou sofrendo danos por conta de um terremoto em 1887. Dessa forma, o casal resolveu fazer a reconstrução e foi quando a villa assumiu novo nome.

O arquiteto responsável era de Genebra, que decidiu colocar a vila no do topo de um jardim, formando uma coroa. A vila em arquitetura clássica é comprida, mas tem apenas um andar, que dão para um jardim à inglesa. O prédio é circundado por um terraço amplo.

Foi comprada pela prefeitura em 1930 e o parque se tornou público. Uma das alas da vila hospeda o Instituto Internacional de Direitos Humanos, mas o local em si é normalmente usado como sede e mostras internacionais de flores.

Os jardins são públicos, e dentro deles é possível admirar um jardim japonês, com flora originária do mundo japonês, além de outros tipos de plantas. O jardim japonês é um símbolo da amizade entre as cidades de Sanremo e Atami, no Japão.

As plantas mais significativas são palmeiras. Até hoje, entre as espécies, uma palmeira – Phoenix reclinata – é considerada um monumento vivo e considerado um dos mais majestosos da Europa.

Na parte inferior do parque, foi construída uma fonte artística, enquanto na superior, foram feitos pavilhões para receber as mostras. Existem ainda dois prédios recentemente restaurados, um que hospeda o Museu das Flores e o outro para exibições de plantas.

Os jardins ficam abertos diariamente  das 8:00 às 18:00 e a entrada é gratuita. Para quem visita Sanremo de trem, eles ficam a apenas 600 metros da estação.

Fotos: Villa Ormond (Reprodução)

Rocca Scaligera de Sirmione

Rocca Scaligera é da época da família della Scala, que governou Verona por 125 anos, entre os séculos XIII e XIV. Este é um dos castelos mais bem conservados e completos da Itália, um exemplo raro de fortificação.

Por todos os lados, ele é banhado pelo lago de Garda e em um desses lados, depois da construção do castelo, foi feita uma doca, que durante um tempo era local de refúgio da frota scaligera.

Antigamente, era possível acessar o castelo tanto da cidade quanto via água, através de pontes levadiças, mas atualmente, é possível somente através da cidade.

A construção do castelo começou por volta da metade do século XIII, provavelmente em cima de restos de fortificações romanas. A realização foi um pedido de Leonardino della Scala. A função inicial era defensiva e de controle portuário – a cidade de Sirmione ficava exposta às agressões.

No século XV, a cidade passou para o controle da República de Veneza, quando começou uma obra para reforçar as estruturas defensivas. Nesse período que foi construída a doca. A cidade era de posição defensiva até o final do século XVI.

Dentro do castelo, foi feito um museu que traz algumas informações importantes sobre a construção.

Como quase tudo na Itália está ligado a uma lenda, essa Rocca Scaligera também.

Dizem que há muito viveu no castelo um rapaz de nome Ebengardo com sua namorada Arice. Durante uma noite de tempestade, para fazer um reparo no castelo, foi chamado Elalberto. O casal hospedou o cavaleiro que ficou atordoado pela beleza da jovem e durante a noite foi procurá-la. Arice começou a gritar e Elalberto a apunhalou. Quando Ebengardo entrou no quarto, ela já estava sem vida. Com raiva, matou a punhaladas Elalberto.

A lenda é que nas noites de tempestades, é possível ver a alma de Ebengardo vagando pelo castelo à procura de Arice.

Rocca Scaligera fica aberta de terça a sábado, das 8:30 às 19:30, e aos domingos, das 8:30 às 13:30.

O ingresso custa €5,00. Sirmione não tem estação de trem, mas é possível chegar até lá através de ônibus saindo de Verona ou Brescia, uma hora de viagem, ou de Desenzano ou Peschiera, cerca de 20 minutos. Os ônibus costumam passar a cada hora.

Foto: Rocca Scaligera (Reprodução)

Fratelli d’Italia vira hino nacional

Engraçado pensar que o hino que conhecemos como italiano não era oficial até semana passada. Fratelli d’Italia foi escolhido em 1946, mas provisoriamente como hino. Nenhuma lei o definia como aquele oficial.

Somente 71 anos depois, ele se tornou oficialmente o hino da República Italiana. Depois de várias tentativas, o Senado finalmente aprovou uma lei para oficializá-lo.

Normalmente, acontece na Itália de o provisório virar definitivo, com o Hino de Mameli, autor da canção, foi mais ou menos assim, mas o hino já faz parte da vida dos italianos, principalmente por conta da seleção de futebol.

Nas legislaturas de 2001 a 2005, foi proposta uma lei ordinária e uma constitucional, mas não foram aprovadas. O mesmo aconteceu entre os anos de 2006 e 2013 – o mais engraçado é que uma lei de 2012 prevê que Fratelli d’Italia seja ensinado nas escolas, para dar senso de cidadania aos estudantes.

Composto de seis estrofes, da canção, eram conhecidas apenas as duas primeiras porque é a duração da apresentação de um hino nas partidas de futebol. Ironicamente, depois de 71 anos cantando um hino provisório que se expandiu graças ao esporte, a Itália vai ficar sem cantá-lo na próxima Copa do Mundo.

O hino é conhecido por vários nomes, como “Hino de Mameli”, por ter sido criado por Goffredo Mameli, “Fratelli d’Italia”, por conta da primeira frase ou como “Canto degli Italiani”, ou canto dos italianos.

Concorrendo diretamente como hino nacional, estava a canção Va Pensiero, de Giuseppe Verdi, que foi proposto como hino alternativo, já que não fala de Roma, ao contrário de Fratelli d’Italia.

A atual legislatura foi aprovada há poucas semanas. Finalmente, a Itália tem hino oficial!

Vídeo: Fratelli d’Italia (Reprodução)