As catacumbas dos Capuchinhos

A sexta-feira 13 foi semana passada, mas é hoje que vamos falar sobre uma das catacumbas mais famosas do mundo: as catacumbas dos Capuchinhos, em Palermo.

Essas catacumbas ficam no convento dos Capuchinhos, anexo à igreja Santa Maria della Pace. Acredita-se que tanto a igreja quanto o convento sejam do século XVI, mas edificados sobre estruturas anteriores.

No subterrâneo, encontram-se as catacumbas, feitas em estilo gótico. Apesar de serem chamadas de catacumbas, o local é na verdade um cemitério em forma retangular. Os cadáveres ficam expostos e apesar de nunca terem sido contados, o número aproximado é de cerca de 8.000.

É um cemitério porque as catacumbas (um cemitério subterrâneo) surgiram quando os frades precisaram de um lugar maior para enterrar os membros do convento – que antes eram enterrados em uma fossa!

Em 1597, quando o cemitério ficou pronto e eles foram transferir os frades que estavam na fossa, eles encontraram 45 corpos praticamente intactos mumificados. Isso foi interpretado como um sinal da benevolência celeste, e foi então que os frades decidiram não enterrar mais os corpos, mas de expô-los nas paredes do cemitério.

Aos poucos, essas catacumbas foram ficando famosas e em 1783, os frades decidiram conceder o espaço para quem quisesse, desde que pudessem cobrir os custos do embalsamento.

As múmias ficam tanto em pé quanto deitadas, vestidas, e são divididas por sexo e classe social – a maioria pertence a classe alta porque o processo de embalsamento era muito curo. Entre os corpos estão bispos, comerciantes, burgueses, oficiais do exército, moças virgens vestidas de noiva, grupos familiares e crianças.

Muitos dos corpos, claro, são dos frades capuchinhos. O primeiro a ser enterrado nas catacumbas foi o frade Silvestro de Gubbio em 16 de outubro de 1599. O seu corpo é o primeiro à esquerda logo na entrada.

O método de embalsamento era deixar o corpo secar por mais ou menos um ano, depois de retirar os órgãos internos. O corpo seco era lavado com vinagre e preenchido com palha, e depois vestido com suas roupas. Para prevenir epidemias, também era feito um banho em arsênico ou cal.

Do século XVII ao século XIX, foram enterradas várias pessoas ali, principalmente sicilianos ricos e personagens ilustres, que decidiram entregar seus corpos aos frades, normalmente em troca de generosas doações.

O cemitério foi fechado em 1880 e desde então acolheu somente dois corpos em caráter excepcional: em 1911 de Giovanni Paterniti, vice-cônsul dos Estados Unidos; e em 1920 de Rosalia Lombardo, conhecida hoje como a múmia mais bela do mundo.

Rosalia Lombardo

Rosalia Lombardo nasceu em Palermo em 13 de dezembro de 1918 e morreu de pneumonia em 6 de dezembro de 1920. Seu corpo fica na capela de Santa Rosalia. O embalsamento foi um pedido de um padre.

Seu corpo, altamente conservado até hoje, recebe o apelido de “Bela Adormecida”. Ela foi embalsamada por um dos melhores da época, dr. Alfredo Salafia. A técnica usada por ele foi descoberta somente em 2009, depois de alguns estudos.

Ele usou um composto com formol, para acabar com as bactérias, álcool, que unido com as condições micro-climáticas do lugar ajudou na mumificação, glicerina, para evitar a secagem excessiva, ácido salicílico, para impedir o crescimento de fungos, e sais de zinco, para rigidez.

A menina parece intacta (mesmo em radiografia é possível ver que o corpo está inteiro), dando a impressão de estar dormindo.

Apesar de esse processo de embalsamento ser um dos melhores – e talvez o melhor -, ela começou a apresentar sinais de decomposição e por isso seu corpo passou para um caixão hermético com vidro e é sempre mantida na temperatura de 20ºC e umidade de 65%.

E quando a história dessa menina não podia ter uma pitada mais macabra, eis que alguém a fotografa abrindo e fechando os olhos (clique aqui).

Palma, palma, não priemos cânico! 

Tudo foi devidamente explicado como uma ilusão de ótica produzida pela luz filtrada pelas janelas laterais e que durante o dia pode mudar – e mudaram a posição do corpo, que antes ficava levemente inclinado. Os olhos nunca ficaram totalmente fechados, agora com o corpo na horizontal, é mais fácil vê-los levemente abertos.

Podem ir sem medo, rs.

As catacumbas dos Capuchinhos ficam abertas diariamente. Durante os meses de outubro e março, elas fecham aos domingos à tarde. O período de visitação é entre 9:00 às 13:00 e das 15:00 às 18:00. O preço do ingresso é €3,00.

Por motivos de preservação dos corpos, é proibido fotografar lá dentro.

As catacumbas ficam na Piazza Cappuccini, 1, e relativamente afastadas do centro histórico. Da estação central, pegue o ônibus 109 ou 318 e desça na Piazza Indipendenza, e de lá, pegue o 327. Da catedral de Palermo, é meia hora de caminhada (clique aqui).

Sem dúvidas, tudo que observamos nesse espaço beira ao macabro.

A ideia de preservação do corpo a todo custo mesmo depois da morte, possibilitando a família de falar e visitar o morto e dando a ideia de que ele ainda faça parte do mundo dos vivos, faz com que reflitamos sobre transitoriedade da vida e sobre as vaidades terrestres.

Fotos: Catacumbas dos Capuchinhos (Reprodução)

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