Le Piccole Virtù

As Pequenas Virtudes é uma coleção de textos autobiográficos produzidos pela Natalia durante os anos de 1944 e 1962. Um único texto era inédito, Lui e Io.

Ao todo, são 11 textos, que abordam desde sua vida na Inglaterra, no começo da década de 1960 até textos mais críticos sobre o pós guerra.

O texto Lui e Io é sobre a vida dela com o marido, comparando a todo momento os dois, as capacidades incríveis do marido e a dependência dela com ele.

Em Il Figlio dell’UomoSilenzio Le Scarpe Rotte, temos uma Natalia mais crítica, especialmente sobre a guerra. O Filho do Homem foi escrito logo após o término da Segunda Guerra e ela questiona como as pessoas conseguirão se sentir seguras novamente.

Em Silêncio, ela critica o silêncio que antigamente funcionava até como forma de protesto e provocação e hoje é apenas uma forma de se calar, aceitar as coisas passivamente.

Os Sapatos Gastos, para mim, funciona como uma metáfora da vida. Como vamos ficando “gastos” conforme a vida passa, por conta da dureza das situações que temos que enfrentar e então só nos sobram os sapatos gastos, com os quais nos acostumamos.

Os dois últimos textos são, para mim, os mais incríveis de toda a coleção.

Em I Rapporti Umani, Natalia enfatiza todo o processo da infância, da adolescência e da vida adulta de uma pessoa. Como ela vai construindo suas relações humanas, que acabam sendo mais parecidas com seus pais do que ela imaginaria à princípio.

O livro se encerra com o texto que dá título a ele: Le Piccole Virtù, as pequenas virtudes, que são aquelas que normalmente ensinamos a nossos filhos, enquanto deveríamos ensinar as grandes virtudes.

Um texto emocionante sobre como ensinamos nossos filhos a serem apegados ao dinheiro, enquanto deveria ser o contrário, e de que no fim, nossos filhos não nos pertencem: os pais pertencem aos filhos.

Natalia Ginzburg já havia me emocionado com seu Caro Michele e não foi diferente nessa coletânea de textos autobiográficos. São textos sobre cotidiano, mas a forma como a Natalia escreve é muito poética, é linda.

Essa minha edição é italiana e me foi trazida de presente pela minha prima (beijos, Rô!) e infelizmente a edição brasileira de As Pequenas Virtudes era feita pela falecida Cosac Naify, assim como Caro Michele.

Vamos ficar na oração para que alguma editora relance. Caro Michele será relançado pela Senac ainda esse ano.

Natalia Ginzburg merece toda atenção de nossas editoras!

Foto: Le Piccole Virtù de Natalia Ginzburg por Una lucciola…

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