Magellano

Magellano é o terceiro álbum de estúdio de Francesco Gabbani, o novo queridinho italiano.

Após ser o primeiro a ganhar o Sanremo consecutivamente na categoria Novas Propostas, em 2016, e na Principal, em 2017, Gabbani amargou um sexto lugar no Eurovision Song Contest este ano, depois de ser considerado o favorito absoluto.

Nada disso impediu o sucesso de seu novo álbum, lançado no final de abril na Itália e no começo de maio na Europa sob o título de Magellan, uma versão diferente da italiana, pois inclui Amen na sua tracklist.

O que é Magellano? O famoso Fernão de Magalhães, o navegador português.

Aliás, Gabbani perdeu o Eurovision para um português, e disse, de brincadeira, que tinha se arrependido de dar o nome de um português ao seu álbum.

Magellano é, de acordo com o próprio cantor, a busca contínua pelo desconhecido, seja fora de nós quanto dentro. Esse é o fio condutor do álbum. E é essa a faixa de abertura do álbum, para mim, uma ótima abertura.

Logo depois, temos Tra Le Granite e Le Granate, que faz um jogo de palavras com e state (como estão) e estate (verão). A ironia dessa faixa está exatamente nas famosas férias de verão, onde as pessoas se forçam a se divertir em lugares que provavelmente não gostariam de estar: vila de pigmeus, campos de concentração, etc.

Lembrando que esse tema de, “ser feliz para inglês ver”também é um dos temas de Occidentali’s Karma, sucesso absoluto na Itália (toca até nos intervalos de partida de vôlei! rs), que aborda principalmente essa tentativa, falha, dos ocidentais de tentarem se orientalizar.

Todas essas faixas são bastante dance, eu diria, com batidas muito forte. Esse aspecto continua em faixas como A Moment of SilencePachidermi e PappagalliSpogliarmi e até mesmo no cover de Adriano Celentano Susanna, Susanna – que ele apresentou na noite de covers em Sanremo.

As duas faixas que trazem um pouco mais de tranquilidade e nas quais é possível ouvir realmente a voz de Gabbani são: La Mia Versione dei RicordiFoglie al Gelo, que faz parte da trilha sonora do filme Poveri Ma Ricchi de Fausto Brizzi, lançado em 2016, e cuja trilha sonora foi praticamente toda arranjada por Gabbani.

Um álbum curto, com apenas nova faixas, e meia hora de duração. Confesso que tenho preferido isso aos álbuns enormes com 14 faixas, porque ultimamente isso tem significado uma perda de qualidade tremenda.

Gostei muito do álbum. É possível ver nitidamente uma evolução entre o primeiro álbum solo do Gabbani, Greitist Iz, lançado em 2014, até seu Eternamente Ora, do ano passado, para então Magellano, que parece tê-lo finalmente consagrado como cantor.

Para mim, a chave do grande sucesso atual dele é compor músicas que são pegajosas, com batidas que as pessoas gostam, mas cujos textos não são banais ou caem no lugar comum (na maioria das vezes).

Se Gabbani não tropeçar no próprio sucesso e não se limitar a ser uma sombra da sua própria Occidentali’s Karma, arrisco dizer que será um cantor de futuro brilhante e, sinceramente, estou ansiosa para ouvir seus próximos álbuns.

Vale a pena escutar não só esse, como os trabalhos anteriores dele!

Foto: Magellano (Reprodução)

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