A Pietà de Michelangelo

Pietà de Michelangelo

A primeira Pietà feita por Michelangelo é conhecida como pietà vaticana por se encontrar dentro da Basílica de São Pedro no Vaticano. Com 1,74 de altura, 1,95 de largura e 69 cm de profundidade, foi também a primeira obra-prima de Michelangelo.

Com pouco mais de 20 anos, Michelangelo completou esse belíssimo trabalho, que até hoje ainda rende muitos suspiros e surpresas, pois ele conseguiu trabalhar uma obra como essa em um mármore com pouquíssima profundidade.

É também a única obra assinada por ele. Na faixa que passa pelo manto da Virgem é possível ler: MICHE.A[N]GELVS BONAROTVS FLORENT[INVS] FACIEBAT – o florentino Michelangelo Buonarroti que fez.

Durante sua primeira estadia em Roma, entre os anos de 1496 e 1501, Michelangelo ficou muito amigo do banqueiro Jacopo Galli, que foi o intermediário de diversos trabalhos ligados a um grupo de cardiais.

A Pietà em mármore foi pedida por um cardeal francês, Jean de Bilhères, embaixador do Papa Alexandre VI e era destinada a capela de Santa Petronilla, onde esse cardeal foi enterrado, o que significa que a obra seria para seu monumento fúnebre.

A obra ficou pronta em 1499 e logo conquistou grande admiração por parte do público.

Sobre a assinatura, dizem que foi feita às pressas por Michelangelo. Ele ouviu dois homens atribuírem à estátua a outro artista. Furioso, Michelangelo teria assinado correndo seu nome antes de ser pego pelos guardas. Isso justificaria os erros de escrita.

Quase 20 anos depois, a obra foi transferida para a sacristia da Basílica de São Pedro. Ela passou para o local atual, a primeira capela à direita da Basílica, no meio do século XVIII.

Antigamente, a estátua não apresentava nenhum tipo de proteção, até que em 1972, um geólogo australiano de origem húngara, conseguiu atingir a estátua 15 vezes em questão de segundos antes de ser pego pelos seguranças.

Os danos foram sérios, principalmente na Virgem: derrubou o braço esquerdo, estraçalhando o cotovelo e o nariz ficou quase totalmente destruído, além das pálpebras. A restauração aconteceu logo em seguida, depois de uma fase de estudo, para que os fragmentos pudessem ser reutilizados como no original.

A obra foi restaurada muito fiel à original. Já o australiano foi reconhecido com problemas psicológicos e mantido em um manicômio italiano por um ano e depois reenviado para a Austrália. Desde então, a Pietà é protegida por uma parede de vidro blindado.

Antes desse incidente, a obra deixou a Itália apenas uma vez, entre 1964 e 1965, quando foi emprestada para uma exposição universal em Nova York.

O que chama atenção nessa obra, diferentemente de outras feitas anteriormente, é que Michelangelo esculpiu as duas figuras de modo muito realista: a Virgem sentada em uma pequena pedra, representando o monte Calvário, e o próprio Jesus, deitado no corpo da mãe já sem vida.

O que ainda é muito questionado nessa obra é a aparência jovem da Virgem Maria. Os estudiosos de Michelangelo dizem que ele quis retratar o espírito da Virgem e não a idade dela na morte do filho, demonstrando a castidade, a santidade e incorruptibilidade da juventude.

A estátua forma uma composição piramidal, acentuada pela roupa de Maria: uma linha vertical representada pela Virgem e uma curva feita pelo corpo de Jesus. Na Pietà de Michelangelo, Maria também não parece desesperada, com a mão esquerda aberta ao espectador, como quem quer dizer que não há nada que ela possa fazer.

Não há palavras para descrever a beleza dessa obra. E pensar que Michelangelo tinha pouco mais de 20 anos quando a concluiu. É milagroso o fato dessa obra ter tanta profundidade com o pouco de espaço que Michelangelo tinha para trabalhar na pedra.

Nada mais justo que finalizar com as palavras de Vasari quando a obra completou 50 anos: “nunca um escultor nem artista raro poderia conseguir um desenho ou graça, nem mesmo com muito esforço, conseguiria extrair tanta fineza e polimento ,e trabalharia o mármore com tanta arte quanto Michelangelo o fez, porque se percebe nela todo o valor e o poder da arte”.

Esse é o poder da mais bela Pietà esculpida por Michelangelo e, digo mais, por qualquer outro artista.

Fotos: Pietà de Michelangelo (Reprodução)

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