A Filha Perdida

A Filha Perdida

*Pode conter spoilers

Então, finalmente Elena Ferrante, a escritora que virou febre mundial por conta de sua tetralogia napolitana.

Resolvi começar por um livro único, sem ser de série, La Figlia Oscura ou A Filha Perdida, como veio traduzido para o Brasil.

Nessa história, temos Leda, uma mulher de meia idade, professora universitária, que resolve aproveitar que as filhas foram morar com o pai no Canadá para passar as férias de verão na praia.

Ela confessa que ficou aliviada quando as filhas partiram e conforme a história vai passando, entendemos que a relação entre elas teve seus altos e baixos.

Leda ama suas filhas, mas se sentiu anulada com a chegada delas. Por três anos, ela abandonou as filhas para poder alcançar objetivos de carreira bem pessoais. A maternidade tinha passado a ser um fardo para ela.

Depois, a ‘responsabilidade’ da maternidade voltou e ela reassumiu o papel de mãe.

Na praia, Leda passa a ficar obcecada por uma família napolitana, mais especificamente por dois membros dela: Nina e Elena, mãe e filha. De alguma forma, Leda ficou encantada por Nina, sendo mãe jovem, mas de forma tão natural.

Conforme a história progride, percebemos que essa obsessão tem um motivo: Leda vai resgatando algumas memórias suas da maternidade, as mais cruéis e difíceis de serem lembradas, também as mais dolorosas.

Ainda temos a presença da boneca de Elena que aparentemente teria sido roubada por alguém da praia, mas que na verdade foi furtada pela própria Leda.

Essa boneca tem um simbolismo muito forte para Leda tanto para sua infância complicada quanto a sua experiência com a maternidade.

Seria a boneca uma válvula de escape para tentar “consertar” as coisas do passado?

O que me surpreendeu nesse livro é que a leitura é extremamente fluida. Você consegue ler páginas e mais páginas sem perceber que está lendo, de tão agradável que é a forma da Ferrante escrever.

Mas apesar da fluidez, a história em si é densa. Estamos falando de uma mãe que admite a si mesmo algumas verdades sobre a maternidade que pouquíssimas mulheres estão prontas a assumir.

Talvez Nina seja a própria Leda mais jovem. A atração entre as duas é mútua. Nina acha Leda uma mulher fina e inteligente, praticamente uma mulher modelo.

Assim como a própria Leda viu em Brenda, uma americana que conheceu durante uma viagem com o marido, o poder da libertação, Nina vê em Leda a mesma figura. Nina quer uma válvula de escape como Leda quis com a mesma idade.

Acho que podemos pensar no título tanto em italiano quanto em português com várias possibilidades: a filha obscura pode ser tanto a filha que Leda foi quanto as suas próprias filhas ou relação entre Nina e Elena, e Elena e sua boneca, e todas elas podem ser filhas perdidas.

Um livro que dá um gostinho de quero mais de Elena Ferrante!

Foto: La Figlia Oscura (Reprodução)

Anúncios

2 comentários sobre “A Filha Perdida

  1. Thais disse:

    Ciao bella!
    Elena Ferrante desponta como uma grande escritora da atualidade. Já li a Filha Perdida e no momento estou lendo Dias de Abandono (perturbador…) mas ainda não terminei, a leitura é tensa e o texto de uma densidade arrebatadora.
    Realmente uma ótima dica!
    Baci e buon fine settimana!

    Curtir

    • Isabela disse:

      Ciao, bella!

      Ouvi falar bem de Dias de Abandono, pretendo lê-lo antes da saga Napolitana.
      Vamos ver o que me espera, rsrs.

      Baci e buon fine settimana!

      Curtir

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s