Pietà Bandini

Estava lendo um livro (sim, mais um! rs) sobre a Capela Sistina e a quantidade de símbolos judaicos que Michelangelo colocou no coração do cristianismo. Acreditem, não foram poucos e a análise é, no mínimo, muito interessante.

O livro faz um apanhado geral sobre a vida de Michelangelo, focando nos seus afrescos do teto da Capela Sistina e no seu Juízo Final, mas na última parte, os autores se voltam para um dos últimos trabalho dele: a Pietà Bandini.

Pietà Bandini

Pietà Bandini

Michelangelo trabalhou nessa escultura alguns anos antes de morrer. É uma escultura de mais de dois metros de altura.

Por conta de uma série de problemas com o Vaticano, Michelangelo não voltaria a fazer trabalhos para a Igreja que não fossem relacionados à arquitetura (a cúpula de São Pedro – e até nisso Michelangelo consegui sacanear a Igreja).

Para ele, depois de mais de uma década (somada) confinado à Capela Sistina e fazendo um trabalho que ele odiava – a pintura -, foi um alívio.

Acontece que os danos causados à sua saúde pelos anos de trabalho no teto da Capela Sistina jamais seriam revertidos, inclusive sua visão, que deteriorou com o passar dos anos.

Essa última Pietà realizada por ele, dizem que seria para seu próprio túmulo. Revoltado por não conseguir enxergar direito e ter feito essa obra basicamente guiado pelo seu tato (gênio), ele teria dilacerado a estátua, inclusive quebrando as pernas de Jesus e mandando seu empregado se livrar delas.

Por sorte, elas foram recuperadas e depois coladas na estátua. Ela recebe o nome de Bandini porque ela teria sido comprada por Francesco Bandini, um escultor e arquiteto florentino.

O que chama atenção nessa obra é que Michelangelo fez um autorretrato no rosto de Nicodemos. Por que ele teria feito isso?

Existem alguns boatos que dizem que ele estava tão insatisfeito, achando a obra feia, que resolveu se autorretratar em Nicodemos (de fato, existem relatos de que Michelangelo não gostava de sua aparência).

Porém, no livro, os autores fazem uma associação que eu achei genial: na fé cristã, Nicodemos é o símbolo do ocultamento da fé verdadeira para sobreviver e servir a Deus.

Como mencionei, Michelangelo ocultou vários símbolos judaicos no coração do cristianismo. Ele teve amplo acesso à cultura judaica na sua adolescência. Apesar de nunca ter perdido a fé em Deus, ele estava muito insatisfeito com os rumos que o cristianismo tomava na época.

Portanto, ninguém melhor que Nicodemos para representar o que ele viveu grande parte de sua vida fazendo: ocultando sua verdadeira fé, mas sem nunca deixar de servir a Deus (ele acreditava que o serviço da Capela Sistina era algo que Deus queria que ele fizesse).

O verdadeiro motivo dessa escolha Michelangelo levou para o túmulo como vários outros mistérios envolvendo suas obras, mas o fato é que mesmo inacabada, ela não só demonstra o grande talento de Michelangelo como é ainda assim fascinante.

Foto: Pietà Bandini de Michelangelo (Reprodução)

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