O Cavaleiro Inexistente

O Cavaleiro Inexistente por Una lucciola...

Sim, mais um livro, rs! Das minhas resoluções de ano novo… e tem mais quatro aqui na fila de rascunho e um quinto sendo escrito nesse momento. Esse ano eu percebi o quanto acumulei de livros de autores italianos ou relacionados à Itália, rs.

O Cavaleiro Inexistente (Il Cavaliere Inesistente) é o livro que fecha a trilogia chamada de Os Nossos Antepassados (I Nostri Antenati) e foi lançado em 1959.

A história do cavaleiro Agilulfo Emo Bertrandino dos Guildiverni e dos Altri de Corbentraz e Sura é narrada por uma freira, confinada, que tem como penitência exatamente escrever essa história, consultando os poucos materiais existentes.

Agilulfo é exatamente aquilo que o título diz: por baixo de sua armadura branca impecável não existe ninguém. Sua armadura se sustenta apenas pela sua força de vontade e sua fé.

O cavaleiro conseguiu esse título porque alguns anos antes ele salvou uma jovem, de linhagem nobre, de perder sua ‘honra’. Por conta disso, ele recebeu o título e desde então, desempenhou sua função com total perfeição.

Cavaleiro tão perfeito não poderia existir.

Sua história se cruza com a de Rambaldo. Este busca a vingança pela morte de seu pai durante a guerra, na qual Carlos Magno lutava contra os infiéis.

Agilulfo era tão perfeito que se lembrava, inclusive, com perfeição de todas as histórias dos outros cavaleiros, nos detalhes. Foi em uma dessas conversas à mesa que um cavaleiro, Torrismundo, o desafiou, dizendo que ele não passava de uma mentira.

A jovem, cuja honra ele teria salvado, seria na verdade sua mãe. Para comprovar que seu título é verídico, Agilulfo tem que cruzar a França, a Inglaterra e o Marrocos em busca de “uma virgindade perdida quinze anos atrás”.

A história é tão curta, apenas 120 páginas, mas tão prazerosa que é como se fosse um conto longo, já que é incrivelmente fácil ler tudo. Sem falar no ótimo humor do autor.

Dizem que o cavaleiro inexistente seria uma metáfora ao homem robotizado, que cumpre todos os atos burocráticos praticamente de forma inconsciente, e que quando ele se torna o seu objetivo, sua existência se perde.

Italo não perde a fantasia e sua forma de contar histórias em forma de fábulas.

A trilogia Os Nossos Antepassados é composta ainda por: O Visconde Partido ao Meio, que segundo Italo é a imagem de parcialidade, de falta de plenitude humana; e O Barão Nas Árvores, que fala de isolamento, de distância e de dificuldade de relacionamento ao próximo.

De acordo com o próprio Calvino, nesse último livro, existem histórias de formalismos vazios, concretudes do viver, absorção de consciência de estar no mundo e autoconstrução de um destino ou da indiferença do tudo.

Os comentários do autor sobre essas três obras vieram de uma introdução feita por ele na edição inglesa de 1980 de Os Nossos Antepassados.

Para mim, dos três livros, esse foi o mais divertido e acredito que para quem não conhece a obra do Calvino, esse seja um bom começo.

Foto: O Cavaleiro Inexistente por Una lucciola…

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