Um Certo Verão Na Sicília

Um Certo Verão na Sicília por Una lucciola...

Acho que não é novidade que eu goste muito dos romances da Marlena de Blasi (já falei de Mil Dias em Veneza, Mil Dias na Toscana e A Doce Vida na Úmbria).

Li algumas resenhas curtas sobre Um Certo Verão na Sicília: Uma História de Amor, e confesso que fiquei um pouco desanimada, pois a maioria relatava uma história que demorava a pegar no tranco.

Ledo engano.

Eu devorei o livro em dois dias, rs. Acho que na verdade estou acostumada com a narrativa de Marlena. Adoro o modo como ela descreve os lugares, os cheiros, as cores e as texturas, o que sempre me faz querer estar ali, na história.

E me desculpe, quem diz que não tem o mínimo de vontade em saber como várias viúvas vieram parar em uma villa, incluindo uma “personagem” muito da misteriosanão deve ser uma pessoa muito curiosa, rs.

Novamente temos um relato real, com muita licença poética, como descrito pela própria escritora antes de começar a história. Ela se passa em 1995, pouco depois de Marlena ter se casado com Fernando.

Incumbida de escrever um artigo de jornal sobre o interior da Sicília, ela parte para a cidade de Enna (ela também alerta que omitiu a verdadeira localidade), onde não consegue escrever a matéria por motivos de: os sicilianos não falam.

Procurando um lugar para ficar, um policia recomenda uma villa, mas alerta que não sabe se a dona os receberá. O nome é Villa Donnafugata. A palavra tem origem na expressão árabe ayn as Jafat, que significa “fonte de saúde”, mas com a adaptação do italiano, perdeu seu sentido original e sua tradução literal é: mulher fugitiva.

Ao fim da história, dá para perceber que o nome não poderia ser mais apropriado.

Chegando à villa, Marlena e Fernando se deparam com muitas mulheres vestidas de preto: são viúvas. São muito bem recebidos por todos, e Marlena vai ficando cada vez mais curiosa para saber a história daquelas mulheres, em especial, da signora, a dona: Tosca.

Tosca é a típica siciliana: silenciosa, mas muito misteriosa. Alguma coisa a atrai muito para Marlena. Existe também um padre, dom Cósimo, e alguns homens que frequentam a villa de vez em quando para trazer pão ou ajudar com afazeres.

Enquanto cozinham, semeiam, plantam e colhem, as viúvas cantam seus cânticos e são devotas tanto aos santos católicos quanto aos deuses gregos, pois para elas os dois representam a mesma coisa.

O que era para ser uma estadia de uma  noite, torna-se um mês e enquanto ficam ali, Fernando vai se encantando com os afazeres rurais e Marlena finalmente consegue conhecer a história de Tosca, que lhe conta de forma totalmente voluntária.

A história de Tosca começa quando ela tinha 9 anos e foi vendida a um príncipe pelo seu próprio pai em troca de um cavalo. Isso apenas contribuiu para fortificar ainda mais sua personalidade.

Ela passa viver no palácio e é tratada de forma igual as outras duas filhas do príncipe. Enquanto ela cresce, desenvolve sua inteligência, aprende novos modos e fica praticamente blindada da Segunda Guerra Mundial, ela se apaixona por ele, 18 anos mais velhos. Amor que é recíproco, mas ele é casado e o divórcio era inconcebível naquela época.

Marlena ouve uma bela história de amor e generosidade, com um final inesperado.

É possível captar bem como eu acredito que ainda seja a parte rural da Sicília e um pouco da história da ilha, além de conhecer o comportamento dos sicilianos. Insisto que Marlena sabe descrever tudo isso muito bem.

Para quem gosta do panorama italiano e de uma bela história de amor, Um Certo Verão Na Sicília preenche os requisitos!

Boa leitura!

Foto: Um Certo Verão na Sicília por Una lucciola…

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2 comentários sobre “Um Certo Verão Na Sicília

  1. Maria Isabel Quental disse:

    Olá! acabei de ler o livro da Marlena de Blasi, Um certo verão na Sicilia. Fiquei um pouco desiludida. Adorei o Mil dias em Veneza; Mil dias na Toscana; Doce vida na Úmbria.
    Na Sicilia depois de eles chegarem à Villa Donafugata, nos primeiro dias o Fernando ainda aparecia mas quando a Tosca começou a contar-lhe a sua vida e os amores com o Principe, o Fernando quase que desapareceu. Enquanto nos outros livros a Marlena é que é a “actriz” principal, na Sicilia passou a ser a Tosca. As mulheres ficaram viúvas porque a mafia matou-lhes os maridos. Estou certa? E depois o principe foi morto mas afinal não o foi… No fim lá aparece o Fernando. Foi um final um pouco atrapalhado. É a minha opinião.
    Eu sou uma apaixonada pela Itália e as minhas regiões preferidas são a Toscana, a Úmbria e a Ligúria.
    Um abraço desde Portugal. <3

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    • Isabela disse:

      Olá, Maria Isabel!

      O foco deste livro da Marlena não é ela, mas outras pessoas, assim como acontece em “Antonia e suas filhas”, por isso nem ela e nem Fernando aparecem tanto nesses romances. Diferentemente, em Mil Dias em Veneza, Mil Dias na Toscana e a Doce Vida na Úmbria, o foco é a vida dela de casada.
      Não, as mulheres são apenas viúvas, perderam seus maridos por motivos variados.

      Abraços do Brasil! :)

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