Gomorra: filme

Gomorra, filme

Depois de ler o livro Gomorra, fiquei interessada no filme, de mesmo nome lançado em 2008, dois anos após o lançamento do livro.

Gomorra foi dirigido por Matteo Garrone e logo no seu fim de semana de estreia foi o filme mais visto da Itália: quase dois milhões de euros arrecadados. Roberto Saviano participou da escrita do roteiro.

Grande parte do filme é falado em dialetos napolitano e casertano, além de serem usadas gírias da criminalidade. Pouquíssimas partes do filme são faladas em italiano. Alguns dos atores também não são profissionais, mas pessoas que vivem no meio da máfia.

Três dos intérpretes do filme, que são afiliados, foram presos após o filme.

O filme gira em torno de quatro história que se alternam. Essas histórias aparecem no livro, mas praticamente todas sofreram modificações para o cinema.

Uma das primeiras histórias é sobre don Ciro, Maria e o menino Totò. Don Ciro leva a mesata, uma espécie de mesada semanal dada às mulheres ou maridos de afiliados presos. Maria a recebia até seu filho virar um scissionista, um afiliado do clã inimigo.

Totò leva as compras semanais de Maria. Com apenas 13 anos, ele se inicia no clã, recebendo treinamento a bala e fazendo pequenas entregas de drogas. Terá que escolher entre o clã e Maria.

A história segue com Franco e Roberto. Franco trabalha com o descarte de lixo tóxico, de forma ilegal e para a máfia, claro. O jovem Roberto, em início de carreira, encontra novos lugares para o descarte, pensando em ser eficiente.

Conforme o tempo passa, Roberto começa a ficar insatisfeito com seu trabalho e percebe que nem tudo é o que parece. Ele terá que escolher entre continuar ou deixar o emprego.

Pasquale é um excelente costureiro que trabalha para a máfia, que vende suas peças para a alta costura. As grandes marcas costumam fazer reuniões com costureiros para conseguir peças em menos tempo e por preços bem baixos.

Para complementar sua renda, Pasquale aceita um trabalho com um chinês, para ensinar seus operários. A camorra descobre e pune Pasquale, que acaba sobrevivendo a um ataque, mas por ter sido sempre explorado por seu chefe, decide virar camionista. Em uma parada para lanche, ele vê uma de peças, que ele fez por menos de 30 euros, em uma estrela de Hollywood.

Por fim, Marco e Ciro interpretam outra história presente no livro: dos garotos que viviam interpretando filmes de mafiosos, em especial Scarface. Eles começam fazendo pequenos furtos, em uma área controlada pelos casaleses.

Apesar de receberem um aviso para pararem com os furtos, os rapazes ignoram e resolvem roubar armas do clã. Eles são avisados uma segunda vez, e ignoram de novo. Na terceira, a camorra não perdoa.

… … … … …

O filme é tenso e é praticamente impossível entendê-lo sem legendas por conta dos diálogos em dialeto. Particularmente, achei as histórias bem entrecortadas. Ainda assim, Gomorra é considerado um dos melhores filmes italianos da última década.

Foi indicado ao Globo de Ouro de 2009 e dos prêmios italianos (David di Donatello, Nastro d’Argento, Globo d’Oro e Ciak d’Oro) levou praticamente em todas as categorias para o qual foi indicado. Foi indicado ao BAFTA e ao Festival de Cannes, nesse último, levou o ‘Grande Prêmio’.

Para mim, é quase impossível comparar o filme ao livro porque, além das histórias terem sofrido modificações, o livro é muito mais rico em detalhe e em dados. Ao final do filme, alguns dados são repassados.

Uma das informações que não estava presente no livro, mas aparece ao final do filme é de que a camorra está envolvida na reconstrução das Torres Gêmeas.

O filme é uma ótima ‘apresentação’ da camorra, mas se você quiser conhecer a fundo mesmo praticamente todas as faces, ter os nomes dos chefes, dados sobre prisões, números de mortos etc., leia o livro.

Foto: Cena do filme (Reprodução)

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3 comentários sobre “Gomorra: filme

  1. Matheus Pasquali disse:

    Isabela, que legal seu post sobre o filme. Eu o vi recentemente, aqui na Itália, pra entender melhor a questão da máfia. Gostei muito. Não li o livro ainda, quero ler.
    Se você gosta de cinema italiano, em particular aqueles que retratam a cena política e social da Itália, recomendo alguns:

    Alla Luce del Sole – história do Padre Pino, assassinado pela Cosa Nostra (máfia siciliana)
    Baaria – conta praticamente um século de história num pequeno paese siciliano (hoje, Bagheria), muito bonito!
    Viva La Libertà – com atuação brilhante de Toni Servilo (o Franco de Camorra), faz uma crítica à atual política italiana. Meu preferido!

    Bacio!

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    • Isabela disse:

      Olá, Matheus!

      Muito obrigada pela indicação dos filmes. Vou tentar assistir!
      Recomendo a leitura do livro, acho muito mais completo que o filme em questão de dados e fatos, dando uma visão mais ampla da camorra!

      Abraços!

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