Stadio vence Sanremo 2016

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Não sei nem o que dizer desse Festival di Sanremo. Às vezes, não sei nem o que sentir. Eu não acompanhei todos os dias, vi apenas as apresentações da categoria principal após a primeira e a segunda noite, na sexta-feira (que foi a noite dos covers).

Comecei a fazer anotações para o post ali. Uma coisa posso dizer: fiquei feliz com a vitória da banda Stadio. Em 1984, primeira vez que eles participaram, ficaram em último lugar. A música com a qual eles venceram esse ano, Un Giorno Mi Dirai, foi recusada no ano de 2015.

Sim. A música foi recusada. O que só me leva a pensar o quão o cenário musical italiano é instável. Um ano reprova, no outro está bom. Bipolaridade na indústria musical italiana? Quiçá… ou, como diriam os paulistanos: se pá!

O que me faz pensar em outro ponto: qual a real finalidade do Festival di Sanremo? Os milhões lucrados com a publicidade ou existe de fato uma busca para apresentar algo de qualidade e/ou inovador ao amantes da música?

Brisas de uma segunda-feira de manhã nesse calor já de sensação de 34ºC, rs

A banda também levou o melhor cover, La Sera dei Miracoli, de Lucio Dalla. Primeiro que o público italiano venera Dalla e segundo que achei a voz do vocalista Gaetano Curreri muito parecida com a de Lucio. Não vi outras apresentações de covers para poder fazer comparações ou dizer se achei legal a vitória deles.

A banda levou quase todos os outros prêmios, mas o da crítica ficou com Patty Pravo, que apresentou Cieli Immensi, uma música bonita e reconheço a importância da cantora na história da música italiana (atrás somente de Mina entre as mulheres), mas… faltou algo.

Em quase todas as apresentações eu sentia falta de alguma coisa: fosse voz, fosse melodia, fosse o tom certo, fosse atitude, fosse algo que eu não sei explicar.

Das apresentações que me surpreenderam muito: Dolcenera e Elio e Le Storie Tese apresentaram-se de forma quase que espetacular. Dolcenera tem voz e atitude, e para mim fez uma das melhores apresentações com Ora O Mai Più!

Já a banda Elio e Le Storie Tese teve a apresentação mais diferente, inusitada e divertida da noite, com uma letra bastante irônica em Vincere L’Odio. É necessário reconhecer: eles foram geniais (e amargaram um 12º lugar).

Me surpreendi com a performance de Lorenzo Fragola com Infinite Volte. Foi uma das apresentações que eu mais gostei, pelo todo. Também gostei do novo vocalista do Dear Jack (17º lugar com Mezzo Respiro), achei que ele deu um novo fôlego à banda.

Já o ex-vocalista Alessio Barnabei… que preguiça (também vale para Valerio Scanu).

Clementino e Rocco Hunt foram os diferenciais de estilo, trazendo um pouco do rap e do hip hop. Gostei da apresentação de ambos, da presença de palco e pela diferença de trazer um som diverso do “música-melódica-romântica-e-batida”, que têm sido a máxima dos últimos festivais.

Leve decepção com as cantoras queridinhas da nova geração Noemi, Arisa e Annalisa (faltou só a Emma aqui, hein?), que fizeram apresentações bem mornas. Gosto demais das voz das três. Afinadas? Com certeza. Sem sal? Também.

[Off] Arisa e Francesca Michielin: o que eram aquelas roupas de vó na 1ª e 2ª noites? É o palco do Sanremo. Quedê glamour!? [/Off]

Sobre o segundo e terceiro lugares. Fiquei surpresa com o 2º lugar da Francesca porque a voz dela é doce, ela é afinadíssima, a música é bonita, mas faltou algo (acho que dá para compor um quarteto feminino: faltou sal). Ela também vai representar a Itália no Eurovision porque o Stadio renunciou.

Giovanni Caccamo e Deborah Iurato em 3º lugar. Fiquei tão sem saber o que sentir que nas minhas anotações consta: ver de novo. Vi de novo e continuo com a mesma sensação: não sei o que dizer e nem sentir, e acho que é porque na minha cabeça, as vozes não combinaram…

Então voltamos a banda Stadio. Quando vi todas as apresentações, deixei anotado na deles: gostaria que chegassem à final. Uma mistura de sentimentos porque parecia igual a tudo apresentado, mas diferente. Melodia e voz casando perfeitamente, e posso dizer que estou satisfeitíssima com esse 1º lugar.

Resumindo: o Festival di Sanremo é um dos mais clássicos do mundo, mas talvez seja um bom momento para repensar a fórmula, como as músicas entram para a competição, os estilos, etc. Mas para quem assiste, o entretenimento é sempre garantido.

Foto: Banda Stadio vence Sanremo 2016 (Reprodução)

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