#Eurotrip2015: dia 12

#Eurotrip2015: dia 12 por Una lucciola...

headphone Para ler ouvindo: Siamo Chi Siamo – Ligabue
“Conheço uma garota de Turim… que fala sempre de partir, sem lugar aonde ir, apenas pegar o primeiro voo: somos quem somos”.

Acordar às 5:30: não tá fácil, rs.

Minha ideia inicial era ficar em Milão porque de lá, poderia ir para Bergamo (que fica a menos de uma hora de trem), visitar o lago de Como e ir a Turim (a duas horas de regional ou a uma com um Freccia).

Acontece que por conta da EXPO, o que eu paguei de acomodação em Bergamo, eu pagaria para ficar em Milão com mais 5 pessoas e provavelmente longe do centro. Procurei vários lugares, mas todos eles estavam absurdamente caros.

A segunda opção foi Monza, pertinho de Milão, mas é óbvio que todo mundo teve a mesma ideia que eu, rs. Então restou Bergamo.

O problema é que ir para Turim dessa vez era uma questão de honra. Então, tive que encarar três horas de trem para ir e outras três para voltar. O meu medo era perder a conexão em Milão por conta dos atrasos de trem já desabafados no post anterior, o que me faria esperar uma hora para pegar outro (ou correr o risco de não voltar a Bergamo).

Nesse dia, peguei o trem com o Chris Hemsworth (Thor) e a Maria Gadu. Mentira, mas super pareciam. O Chris estava meio magrinho e dublava, interpretando a música que estava ouvindo, com direito a emoção a la Fabio Junior e tudo mais. Chris, super te entendo, sou dessas também (quem me vê dirigindo que o diga, rs).

Foi uma boa diversão nas longas duas horas de Milão a Turim. O trem não atrasou (amém!). Cheguei em Turim às 10:00 com ziguebilhões de coisas para fazer. Claro, eu já estava ciente de que um dia na cidade não é nada, mas tentei fazer o essencial.

E óbvio que o pouco sol que peguei no caminho se tornaria névoa até Turim. Mas resolvi não reclamar sobre o clima porque o dia anterior, em Como, tinha compensado por todos os outros!

Andar por Turim é uma tranquilidade imensa porque tudo fica basicamente em uma linha reta. Saiu da estação, siga reto para chegar na principal praça da cidade, a San Carlo. Antes de chegar nela, existe uma pequena praça chamada CLN (Comitato di Liberazione Nazionale), que recebeu esse nome porque nela aconteceu um golpe para libertar a Itália do controle fascista e da ocupação nazista em 1943.

Antes, ela era conhecida como a Piazza delle Fontane, a praça das fontes, porque existem duas estátuas que representam os dois rios da cidade: o Pó e o Dora, no caso Dora é representado pela mulher.

Piazza San Carlo

Piazza San Carlo

Poucos passos a frente, a Piazza San Carlo, conhecida como a sala de estar de Turim e dedicada a San Carlo Barromeu. É o local das manifestações políticas e também das comemorações das vitórias do Juventus. Aqui também estão importantes cafés históricos, como o Caffè San Carlo, Caffè Torino e o Neuv Caval’d Brôns.

E é onde fica o touro de ouro, que eu procurei e não achei. Gente, quedê touro!?

Seguindo reto pela praça está a Via Roma, outra rua importantíssima em Turim porque ela liga a Piazza San Carlo a Piazza Castello, que leva esse nome porque tem um castelo no meio dela.

Piazza Castello

Piazza Castello

Palazzo Madama

Palazzo Madama

O castelo é na verdade o Palazzo Madama, hoje patrimônio da Unesco e sede do museu cívico de arte antiga. Antigamente, nesse local ficava uma das portas da cidade e com a queda do Império Romano, ela foi transformada em fortaleza. Os Savoia transformaram o prédio no que ele é hoje.

Ao fundo, já se vê o Palazzo Reale (primeira foto), a entrada do Polo Reale, um complexo com biblioteca, armaria, a Galleria Sabauda, os jardins reais e o museu arqueológico. É um sítio enorme, que eu visitei mais tarde naquele dia.

A prioridade era passar pela catedral, o santurário della Consolata e o Mercato di Porta Palazzo antes de eles fecharem no almoço.

Duomo di Torino

Duomo di Torino

A catedral de Turim é famosa porque ela é casa da Sacra Sindone, que nós conhecemos como Santo Sudário. Claro que ele não está exposto, podemos ver apenas um caixão através de um vidro e uma foto do que seria o rosto de Cristo retirado de impressões no manto.

Onde provavelmente está a Sacra Sindone

Onde provavelmente está a Sacra Sindone

O Santo Sudário foi trazido pelos Savoia e doado ao Vaticano em 1983. Os cristãos acreditam que esse tecido envolveu Cristo após sua morte.

De lá, segui para o Santuario della Consolata, que estava com missa, então me retirei e fui tomar o famoso bicerin no café Al Bicerin, que alega ter criado a bebida. Ela nada mais é do que uma mistura de café, chocolate e nata. O segredo está na proporção de cada um dos itens, que o café não revela (claro!).

O famoso 'bicerin'

O famoso ‘bicerin’

Uma taça custa €6,00 e por um milagre o lugar não cobra coperto. Pedi ainda um panino de salame que era tão pequeno que nem encheu uma tripa minha. Sobre a bebida… sinceramente, não achei nada demais.

Porém é quase uma tradição visitar Turim e provar a bebida. Acho que vale pela experiência. Igual a torta Sacher da Áustria.

A igreja da Consolata é muito bonita. Enorme e cheia de capelas. Muito mais trabalha que a catedral, por exemplo. O claustro, que eu sempre gosto de visitar, quando possível, virou um estacionamento, rs. Triste.

Mercato di Porta Palazzo

Mercato di Porta Palazzo

Segui meu caminho para o maior mercado aberto da Europa: o de Porta Palazzo. O lugar é uma loucura, são mais de mil barracas que vendem absolutamente de tudo: desde roupa à comida. Você encontra lembrancinhas, óculos, agasalhos, tênis, malas, tecidos… do outro lado fica a feira, com sua loucura habitual e os vendedores te chamando para você comprar deles, rs.

Existe ainda uma parte fechada com açougues e massa fresca. Eu vi nhoque de batata, de abóbora, de espinafre e de beterraba (acho, porque era vermelho). Se tivesse onde cozinhar, levaria um punhado.

Mas o que ganhou meu estômago mesmo foi isso:

Cannoli siciliani

Cannoli siciliani

… e Deus criou os sicilianos, que criaram os cannoli, e Ele viu o quanto isso era bom!

Gente, é sério. Encontrou um desses pela Itália, compre. Porque eles não são parecidos em nada, nada com o que é vendido aqui. A ricota é completamente diferente. Se eu pudesse, teria trazido uns 10 para cá porque, MEU DEUS, isso é muito bom!

Ah sim, se perguntarem o que eu fiz eu Turim: eu comi! rs

Granita de menta

Granita de menta

Depois do cannoli siciliano, eu não conseguia parar de sorrir. Quem visse, até pensaria que tinha álcool naquele doce, mas era só felicidade de ter comido algo realmente bom. A minha cara devia estar engraçada e as pessoas deviam achar que eu tinha problemas, rs.

Já estou acostumada, rs! Até eu estava rindo da minha situação porque só pensava: “Isabela, você é tão idiota que está rindo que nem bocó só porque comeu um doce bão!”

Essa sou eu, prazer.

Resolvi ir até a Mole Antonelliana, o símbolo da cidade, que resolveu me trollar e mudar o dia de fechamento. Eu tenho certeza ABSOLUTA que o dia de fechamento era segunda. Por isso resolvi ir numa terça. Depois, quando estava revendo o roteiro, vi que o dia tinha mudado para terça.

Mole Antonelliana

Mole Antonelliana

Tive um mini surto.

Mas ok, depois eu pensei: “Isabela, você terá 8 horas na cidade. Nem nos seus mais lindos sonhos vai conseguir ver tudo”. E de fato, era uma coisa a menos para eu me preocupar.

E, gente, outro desabafo: uma das questões de viajar sozinha é quem vai tirar a sua foto. Meu mini tripé quebrou no dia anterior e eu odeio pedir para as pessoas tirarem fotos minhas porque: (1) a maioria não gosta e (2) as pessoas não sabem tirar fotos.

Se eu te peço para tirar uma foto minha COM a Mole Antonelliana é porque eu quero que ela saia na foto. As pessoas simplesmente não entendem isso. É tipo você estar na Torre Eiffel e as pessoas cortarem ela ao meio porque, né, o importante é você sair inteiro na foto e não torre.

Acabado esse meu momento desabafo, eu pude apenas olhar a Mole de perto sem poder tocar, mas tudo bem, quero voltar para ficar pelo menos três dias em Turim, então eu aguento ter apenas uma prévia, rs.

Fachada do Palazzo Carignano

Fachada do Palazzo Carignano

De lá, segui para outro monumento importante, o Palazzo Carignano, onde nasceu o rei Vittorio Emanuele II, que já sabemos que seria o primeiro rei da Itália unificada. Hoje ele é o museu do ressurgimento e patrimônio da Unesco.

Parte de trás do Palazzo Carignano

Parte de trás do Palazzo Carignano

Esse museu estava aberto e tive a leve impressão de estar gratuito (porque ele não é), mas eu sabia que não ia ter tempo, então engoli o choro e segui em frente. Passei para ver onde era o Museo Egizio, o mais famoso da cidade.

Museo Egizio sem filas

Museo Egizio sem filas

Ouvi falar tanto em filas que comprei o ingresso antecipado pela internet e adianto: não tem filas. De nada! rs

Meu horário era apenas mais tarde, então dali segui para a Bottega Guido Gobino, o templo do chocolate na cidade porque Giuseppe Gobino, quem fundou, é considerado o rei do chocolate em Turim. São chocolates totalmente artesanais que só usam os melhores ingredientes do Piemonte. Hoje ele é mantido por Guido, filho de Giuseppe.

Bottega Guido Gobino

Bottega Guido Gobino

Rola uma degustação, então eu comi também. Levei um pote para casa porque minha mãe tinha me pedido chocolate. “Qual, mãe?”, “Qualquer um”. Se eu tivesse levado qualquer um, eu levaria uns bons sopapos na cara, rs.

Na mesma rua fica o Eataly. Lembrando que a rede nasceu em Turim. Passei por ele só para ver o movimento e também tem como o daqui. Não entrei por motivos de: temos um aqui e eu não ia perder tempo em Turim vendo uma coisa que temos aqui. Ah, e a Venchi tem por lá também, mas só vi em Turim e Milão.

Então fui fazer o Polo Reale e quase morri, rs. Ele é muito grande, são muitas coisas para ver, a Galleria Sabauda parece quase infinita. O museu arqueológico então… foi uma frustração porque em frente a Galleria tem um sítio em escavação. Achei que poderíamos ver mais disso no museu arqueológico, mas era uma coleção chaaaata de potes de barro e ferramentas milenares (historiadores me xingando em 3, 2, 1…, rs).

Entrada da Galleria Sabauda e do Museo Archeologico

Entrada da Galleria Sabauda e do Museo Archeologico

A Galleria Sabauda é muito bonita. Você fica literalmente cara a cara com a obra de arte. Não pode fotografar, mas você pode quase enfiar a cara no quadro, coisa que praticamente não existe em outras galerias. Ela foi reaberta recentemente.

Acho que são três andares e umas 30/40 salas. Meus pés já não respondiam aos meus comandos nesse momento, rs.

Armaria real

Armaria real

A parte da armaria é bem bonita e super bem conservada. Os quartos reais também. A biblioteca ainda é usada para pesquisa, então você só pode visitar uma parte (sem tocar em nada, claro) e a outra é só para quem está estudando mesmo. Uns livros de sei lá quantos séculos atrás, mas aparentemente muito bem conservados.

Saí de lá e parei na Grom porque ir até a Itália e não ir na Grom é tipo: se mata, jovem. Pedi o usual de cioccolato extrafondente e experimentei o de tiramisù (Camyla, te dedico! rs), já que não comi o doce – sim, eu sei, um ultraje, mas o gelato estava divino!

Grom é muito amor!

Grom é muito amor!

Já estava no meu horário para o Museo Egizio e eu tive que engolir o sorvete porque quando passei mais cedo, eu estava comendo (claro) e o moço me disse que eu não podia entrar com comida, rs.

O ingresso já te dá direito a um audioguia, que é tipo um tablet, mas em formato de controle remoto, que passa imagens também. Achei isso demais! Porque nos outros museus você tem que pagar. Claro, o ingresso do museu egípcio não é dos mais baratos: €13,00. Eu paguei mais €2,00 pelo agendamento online.

Não à toa a coleção de Turim é considerada a segunda mais importante do mundo, atrás somente da de Cairo porque é uma coleção INVEJÁVEL. Isso é museu! E não um monte de potes de barro (rs)!

São 16 seções espalhadas por quatro andares, se bem me lembro. O audioguia que você recebe explica as obras mais importantes de cada seção. O museu estava cheio, mas não estava cheio nível SP em qualquer exposição atualmente. Então para andar estava bem tranquilo.

A sala mais maravilhosa de todas é a dos reis.

A galeria dos reis

A galeria dos reis

São dois ambientes e algumas peças muito importantes. Do lado de fora dessas salas, eles ainda remontaram um templo que foi doado pelo Egito à Itália. Achei sensacional.

Torino por Una lucciola...

Templo Ruprestre di Ellesija

Claro que o pólo real tem sua importância, afinal, Turim abrigou os reis da Itália, mas se você só puder visitar um museu na cidade, por favor, que seja o egípcio! rs

E é óbvio que eu me esqueci que o horário de verão tinha acabado. Quando saí do museu, só o breu na cidade. Eu não consegui ver o Pó. Essa foi minha maior frustração da viagem.

Acabei não descendo até o rio porque eu queria pegar o penúltimo trem para Milão, para não correr o risco de perder a conexão com Bergamo e ter que dormir na estação no maior estilo Tom Hanks (O Terminal).

E eu ainda tinha uma mala me esperando para ser fechada.

Voltei com toda paciência do mundo para a estação e a Piazza San Carlo fica ainda mais interessante à noite, iluminada. Ela está com uns lustres coloridos. Nesse momento, fui abordada por um jovem da Oxfam.

Ele me disse que a doação de €20,00 por mês custa menos que um cafézinho por dia. Eu disse: para vocês custa menos, para mim, custa um pouco mais. Depois expliquei que era do Brasil. Daí ele só me pediu um abraço porque isso era de graça! rs

Peguei um lanche (como o queijo e o presunto de lá são maravilhosos!) na estação – porque comer é essencial, rs – e peguei um trem para Hogwarts com o Harry Potter.

Gente, que dia! rs

Fotos: Turim por Una lucciola…

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