#Eurotrip2015: dia 8

#Eurotrip2015: dia 8 por Una lucciola...

headphone Para ler ouvindo: Caminho Pro Interior – Bruna Caram
“Trilha subindo a mata, a vista que me arrebata. Essa estrada me chamou, eu vou, caminho pro interior”.

O dia começou cedo, antes das 7:00 porque eu precisava pegar um trem às 8:00 para Vipiteno. Lembram dessa cidade? Comentei sobre ela nesse post aqui.

Vipiteno/Sterzing é considerada um dos borghi mais bonitos da Itália. Borgo, na sua tradução mais simples, seria cidade, mas para nós seria mais parecido com vilarejo mesmo porque são cidades normalmente muito pequenas.

Estava muito ansiosa para esse dia porque tinha muita curiosidade em conhecer a cidade, mesmo achando que ela seria parecida com Innsbruck. Vendo as fotos, foi essa a ideia que eu tive e faz sentido, afinal, Vipiteno pertenceu à Áustria.

O trem foi pontualíssimo. Às 9:02 estava na estação de Vipiteno com seu cheiro de feno/coco de cavalo, rs.

Sabia que era uma boa caminha até o considerado centro histórico. Perguntei na estação e o rapaz me mandou ir reto por cinco minutos. Caminhei um monte e não via nada que se assemelhava a um centro histórico.

Resolvi perguntar. Péssima, péssima ideia.

Vipiteno até pode ser uma das cidades mais bonitas da Itália, mas esqueceram de falar que também é a que tem as pessoas mais mal educadas.

Resolvi pedir informação para uma senhora na rua, que mal me deixou abrir a boca (sério) e começou a literalmente GRITAR como se eu estivesse pedindo esmola. Eu segui andando porque, né? Não estou disposta. E ela continuou GRITANDO em alemão ou dialeto. Pela intonação era provavelmente algo como: “esses merdas de turistas vêm até aqui encher meu saco logo de manhã”.

Gente, eu perdi as contas de quantas pessoas abordei na rua pedindo informação. Algumas negaram porque ninguém obrigado a nada, mas de forma até educada, mostrando a mão com um sinal de: “amiga, pare”. Mas gritar? Oi?

Confesso que esse episódio me brochou demais. Um senhor que estava um pouco mais a frente deve ter ficado com pena de mim e me disse que o centro era por ali mesmo.

Cheguei ao centro e bem, era o que eu esperava mesmo. Se você viu Innsbruck, basicamente você viu Vipiteno. Só que ela é uma Innsbruck mais ‘concentrada’. Ao invés de um largo calçadão, a rua é mais estreita, ainda assim, ampla.

No centro de Vipiteno/Sterzing

No centro de Vipiteno/Sterzing

O centro novo é antes da torre do relógio e o antigo, depois. Na parte antiga, estava rolando uma feirinha dos camponeses, com produtos locais. Estava tão chateada que não tive nem vontade de experimentar nada.

Resolvi descer até o sul da cidade para conhecer o complexo do Museo Multscher, o mais famoso da cidade. Ele é super pequeno. O rapaz que me atendeu salvou a primeira impressão de merda que eu tive da cidade. Super atencioso e com um sotaque que deve ser da região (reparei que outras pessoas também tinham).

Museo Multscher

Museo Multscher

Segui para a catedral da cidade, que fica ao lado. Notei que uma senhora rezava meio alto e alguns turistas estavam ali também. Enquanto estava fotografando, um deles deixou a porta bater ou derrubou alguma coisa que fez muito barulho.

A catedral (cuidado com as senhoras que rezam alto)

A catedral (cuidado com as senhoras que rezam alto)

Pronto. O segundo show da cidade. A senhora que rezava e ficou inconformada com o barulho e decidiu resolver o problema fazendo mais barulho: gritando que nem louca.

Gente, qual o problema das pessoas nessa cidade!?!? Porque ÓBVIO que as pessoas fazem barulho dentro de uma igreja de propósito…

A única coisa que eu sei é que tinha planejado pegar o trem das 12:57. Corri que nem louca (só dava eu correndo a rua quando vi o trem se aproximar, no maior estilo “run, Forest, run”, rs) e peguei os das 10:57 aos 45 do segundo tempo. Só deu tempo da porta fechar atrás de mim. Não quis passar mais nenhum minuto naquela cidade.

A cidade é linda mesmo. Ignore as pessoas!

A cidade é linda mesmo. Ignore as pessoas!

Voltar para Bolzano foi tipo uma bênção! Peguei um lanche na estação e rumei para a Piazza Walther na esperança da van que faz o shuttle até o Castel Roncolo estar lá. Eles fazem o serviço de leva e trás gratuitamente. Claro, você pode ir a pé em uns 20 minutos de caminhada.

Eu já estava na metade da viagem. Tudo que eu mais queria era evitar a fadiga. Fora que eu queimei muitos bacons na subida até o castelo em si. A van te deixa na rua, você ainda precisa subir até lá.

O motorista foi uma agradável surpresa. Um paquistanês que mora há 18 anos na Itália. Impressionante como normalmente as melhores pessoas da Itália dificilmente são italianos. Conversamos sobre a vida e ele me explicou que o ‘problema’ do Alto Ádige é que as pessoas não se sentem italianas, mas austríacas.

Eu já digo que não tem explicação porque falta de educação eu acho simplesmente UÓ. ! Ele já me avisou que o mesmo acontece em Trieste (que pertenceu à Áustria e à Hungria, se não me engano).

Castelo Roncolo/Runkelstein

Castelo Roncolo/Runkelstein

O castelo Roncolo (ou Runkelstein, em alemão) é pequeno. Somente algumas partes são visitáveis, com um pequenino museu. Na época, ainda tinha uma exposição sobre o caminho entre Bolzano e Verona, muito importante para o enriquecimento da região.

Voltei ao centro e então, mais uma bênção: finalmente uma gelateria. Em frente à catedral, tem a Menodiciotto e foi quando eu vi Deus e ele me disse: “Isabela, no céu não tem pão, tem gelato! Agora vá e termine de saborear essa maravilhosa dádiva minha”.

'Demorei muito pra te encontrar, agora eu quero só você...'

‘Demorei muito pra te encontrar, agora eu quero só você…’

Maçã verde com um híbrido de uva e morango. Pode isso, Arnaldo? DEVE!

Eu ainda me impressiono como uma coisa banal como tomar um sorvete gelato pode tornar o meu dia tão, tão melhor :)

Convento de São Francisco

Convento de São Francisco

Feliz da vida e saltitante, eu segui pelo convento dos franciscanos e, depois, procurei o outro castelo famoso da cidade: o Mareccio/Maretsch. Andei que nem louca atrás dele e não achei, até que percebi que ao invés de pegar uma bifurcação, eu segui reto.

Castelo Mareccio

Castelo Mareccio/Maretsch

Ele fica meio escondidinho, entre vinhedos. Não desci porque eu tinha a leve impressão de que eu daria com a cara na porta, já que não vi uma alma se mexendo dentro do castelo (e já disse que estava tentando evitar a fadiga? rs), mas sei que ele ainda recebe alguns banquetes e até mesmo mostras culturais de vez em quando.

Ele oferece uma vista privilegiada para o Catinaccio/Rosengarten, que imaginava eu ser um jardim de rosas porque né, é o que o nome está dizendo. Nope. Catinaccio/Rosengarten é um conjunto de cadeias das Dolomitas, que você consegue ver de praticamente qualquer ponto da cidade.

A cadeia Catinaccio Rosengarten (vista do Museo Civico)

A cadeia Catinaccio Rosengarten (vista do Museo Civico)

É uma linda vista mesmo!

Na volta, passei pelo Museo di Scienze Naturali, o museu de ciências naturais, e achei tão divertido. Soltar a criança que existe em você: sou dessas, rs. Adoro museus interativos, que você pode sair tocando em tudo. Os principais museus de Bolzano são assim e eu adorei!

Formigueiro do Museu de Ciências Naturais

Formigueiro do Museu de Ciências Naturais

Resolvi aproveitar o dia e pegar uma das funivias da cidade, achando que ela me levaria para um ponto mais alto com visão panorâmica. Teleféricos e eu: uma história de medo, surpresa e amor! rs

Eu já falei que tenho medo de altura? Pois é, eu tenho. Minhas pernas tremem porque eu sempre, SEMPRE tenho a impressão que eu vou estar lá admirando a paisagem e um maluco vai vir e me empurrar de um penhasco. Ou que o avião vai cair. Ou que o teleférico vai cair.

Enfim, quase me borrei nas calças pegando essa funivia (ao lado da estação de trem. Chama Funivia del Renon) porque o teleférico não parava de balançar e você olha pro chão e só vê mata a uns bons metros de altura (suficiente para matar todo mundo caso aquele troço caia).

E na minha inocência, o trajeto era rápido. Na verdade, acho que ele é rápido, mas na minha cabeça demorou uma vida… rs.

Vale a pena se borrar por essa vista <3

Vale a pena se borrar por essa vista <3

Nesses momentos, eu só não me chuto na bunda porque normalmente a vista compensa muito (e outra porque eu não consigo). E nesse caso o teleférico me levou a outra cidade: a Soprabolzano/Oberbozen, algo como “Bolzano acima/de cima”.

Trajeto do trenzinho de Renon

Trajeto do trenzinho de Renon

Estação de Collalbo/Klobenstein

Estação de Collalbo/Klobenstein

Não tive vista panorâmica. Mas saindo da funivia, você pode pegar um trem sem destino que vai até Collalbo/Klobenstein. Eu não sabia para onde direito e nem quanto tempo o trem (que só passa um por vez: mesmos trilhos para ir e voltar) levaria, mas eu fiz a louca e peguei.

Como não se apaixonar?

Como não se apaixonar?

Simplesmente, o panorama mais bonito dessa viagem.

Tem muita gente que sobe até Soprabolzano para fazer essas cidades de bicicleta ou a pé mesmo, e a vista deve ser maravilhosa. Naquele dia ainda mais porque o céu estava totalmente aberto.

Se você for para Bolzano, por nada nesse mundo perca esse passeio.

Entre os Alpes e a lua

Entre os Alpes e a lua

Na volta, quase no fim do dia, ainda tive a oportunidade de ver a lua surgindo entre as Dolomitas.

Uma Bolzano que tirou meu fôlego já nos acréscimos do segundo tempo ♥

Fotos: Vipiteno/Sterzing e Bolzano/Bozen por Una lucciola…

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2 comentários sobre “#Eurotrip2015: dia 8

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