#Eurotrip2015: dia 3

#Eurotrip2015: dia 3 por Una lucciola...

headphone Para ler ouvindo: Blowin’ In The Wind – Bob Dylan
“E quantos ouvidos um homem deve ter para ele conseguir ouvir as pessoas chorarem? Sim, e quantas mortes serão necessárias até ele saber que pessoas demais morreram?”

O dia hoje começa em outra cidade, há 30 km de Munique: Dachau.

Quem curte história se lembrará desse nome, pois essa cidade recebeu o primeiro campo de concentração da Alemanha.

Para chegar lá, é preciso pegar o S-Bahn 2 e em 25 minutos você estará na estação central de Dachau. De lá, só seguir para as plataformas de ônibus e pegar a linha 726 e em mais 10 minutos, você chegará ao antigo campo de concentração.

Ou siga as pessoas porque normalmente quem está ali é para visitar o campo.

"O trabalho liberta"

“O trabalho liberta”

O KZ-Gedenkstätte Dachau foi construído em 1933, logo após Hitler assumir o poder e serviu de modelo para os campos que viriam a seguir. Era local de campo de trabalho e campo de treinamento para os soldados da SS.

Recebeu políticos que eram contra o regime nazista e depois passou a receber judeus, homossexuais e imigrantes. Mais de 200 mil pessoas passaram por ali, de mais de 30 países, e dessas, calcula-se que mais de 40 mil tenham morrido ali.

Ele ficou em funcionamento por 12 anos, sendo desativado em 1945, quando as tropas americanas invadiram o local e resgataram os sobreviventes.

Hoje, o antigo campo de concentração é um memorial, construído em 1965 pela iniciativa e com o consentimento daqueles que passaram por ali e sobreviveram, e formaram o Comitê Internacional de Dachau.

A entrada é gratuita e o campo é bem grande. Hoje, o local que era a sede abriga o museu que conta toda a história do campo, desde a tomada de poder do Hitler até sua desativação, passando pelos momentos dramáticos, como as diversas mortes em massa.

É possível visitar os abrigos dos prisioneiros, com as camas, o banheiro e a sala de estar com os móveis da época. Mais ao fundo, existem hoje cinco ou seis capelas, que recebem missas mensalmente. Indo mais a fundo, fica a casa onde os presos passavam pela câmara de gás e os corpos eram incinerados depois.

Visitar Dachau é triste, chocante, um soco bem direto no seu estômago, mas acho necessário. Tem gente que não acredita que os campos existiram ou que pessoas morreram, foram torturadas ali.

Visitar um lugar como esse não nos deixa esquecer esse capítulo horrível da nossa história (as pessoas têm memória curta e tem muito louco no mundo, então eu não duvido de alguém ter a mesma ‘ideia’ daqui uns anos). É um local para reflexão.

E preciso dizer: sei que cada um faz o que quer da sua vida, mas tirar foto sorrindo e fazendo pose em Dachau com óculos de sol (em um dia nublado), tipo, sério!? Sério mesmo?! Só faltava a pessoa sair correndo de braços abertos cantando Imagine do John Lennon.

Taqueopariu!

Entrada do Residenz

Entrada do Residenz

Voltei para Munique para visitar o Residenz, que é muito maior do que eu esperava: mais de 100 salas (e isso porque algumas estão fechadas em restauração). O complexo envolve a residência em si, a parte das relíquias e o antigo teatro.

Imperdível no Residenz: a gruta. MEU DEUS, ela é absurdamente incrível, toda feita com cristais e conchas. É impressionante. Não perca por nada na sua VIDA, rs. Mas sério, é muito bonita mesmo. Os quartos são muito bonitos e a capela privada também, além galeria dos ancestrais e a sala de espelhos.

Dica: siga as setas. O local é enorme e é fácil se perder pelas salas. Siga as setas e você fará o percurso completo. Em um momento, eles dividem o segundo andar em percurso longo e curto. Faça o longo.

E era óbvio que o alemão Alzheimer me faria uma visita, rs. Por que não, não é mesmo? rs

Eu comprei o combo, que me dava direito a visitar tudo. Tinha passado pelas relíquias e já estava em mais da metade do percurso do palácio e ainda iria ao teatro. Foi quando eu percebi que eu tinha perdido meu ingresso.

Sim, ele estava em minha mão, dentro do mapa e provavelmente a hora que eu abri, lá se foi o disco voador… se você estava no Residenz no domingo do dia 18 e viu uma louca correndo, voltando as salas: prazer, eu! rs

E então eu preciso dizer: Deus abençoe os muniquenses!

Comentei com uma das monitoras e ela pediu para eu voltar até o caixa. Perguntei para outro monitor, que mal falava inglês e ele me disse a mesma coisa (foi o que deu para entender, rs), e ainda me ofereceu um atalho, rs.

Pensei: ótimo, vou ter que pagar de novo.

Voltei até a monitora que controlava a entrada, expliquei a situação e ela me disse: me acompanhe. Foi até o caixa e me imprimiu um ingresso para visitar o teatro e ainda me deixou voltar para terminar de ver os quartos.

Simples assim.

Sem ao menos questionar se eu estava mentindo porque, né, malandragem existe no mundo e sabemos bem disso. Fiquei impressionada com a atitude. Ah, e eu também fui a louca correndo as salas tudo de novo até o ponto onde eu percebi que tinha perdido o ingresso, rs.

Cuvilliés Theater

Cuvilliés Theater

O teatro é maravilhoso, muito bonito mesmo. Mas lembre-se: não toque, não encoste, não fale, não peide e não pense também se possível. Não pude nem usar tripé e a monitora começava a gritar com todo mundo que deixava os celulares ou papéis no palco para poder fotografar.

Detalhe: o teatro ainda recebe apresentações, então as pessoas peidam nas cadeiras, falam, cospem, tocam no estofado e pisam no palco. A diferença é que elas pagam algumas centenas de euros a mais. E essas centenas te permitem mais coisas… ¬¬

Karlstor

Karlstor

Criei coragem e fui para a Karlsplatz, rezando para ela estar vazia. E estava. A terceira porta da cidade teve sua torre mais alta derrubada, então hoje restam apenas duas. A praça é bonita, mas no verão fica mais porque ligam a fonte.

Existiam quatro portas, hoje apenas três estão inteiras: a Isartor, a Sendlinger Tor e a Karlstor.

Fiz uma horinha por aquela região, visitei uma igreja, que era um antigo salão de encontros, a Bürgersaalkirche, tanto que ela fica no andar superior do prédio e é um imenso quadrado. Passei pelo Zum Augustiner, restaurante bem famoso.

Estava esperando uma amiga que fez intercâmbio comigo em Firenze em 2010. Hoje, ela mora em Munique (beijos, Antonia!). Foi muito bom revê-la depois de cinco anos, ver que ela está bem e feliz. Ela me levou na Hofbräuhaus, a cervejaria mais famosa de Munique.

Essa cervejaria é parada obrigatória em Munique. Também é a casa da cerveja oficial da Oktoberfest. Preciso dizer que o local é uma delícia, com música alemã tocando ao vivo, muita, mas muita gente com suas cervejas de litro na mão, e uma Apfelstrudel MARAVILHOSA!

O local é totalmente típico, além de ter uma ótima atmosfera!

O clima na Hofbräuhaus

O clima na Hofbräuhaus

Lembrando que: o litro sai por €8,00 e 500mL por €4,20, e a cerveja deles só é vendida na casa. Não existe para comprar em outro lugar. O máximo é comprar uma garrafa individual que vem com aqueles copos tulipa.

Também não se esqueça de sentar onde estiver disponível, sim, você vai dividir a mesa com completos estranhos enquanto tomam cerveja! E também tem que pagar logo após o pedido chegar à mesa porque é tanta gente e eles não têm controle de quem entra ou sai.

Provei o famoso Bretzel, que é um pão BEM salgado, que os alemães normalmente tomam no café da manhã (não sei como conseguem, minha boca quase secou! rs). Ele é vendido para acompanhar com as cervejas (você VAI querer beber alguma coisa depois de dar uma mordida). Ah, o Bretzel é maior que um rosto, rs.

Ao sair, não se esqueça de contemplar a Marienplatz à noite. É simplesmente maravilhosa!

Fotos: Dachau e Munique por Una lucciola…

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2 comentários sobre “#Eurotrip2015: dia 3

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