Os entornos do mercado de Ballarò

O Mercato di Ballarò é um dos mais importantes da Itália, tanto que o mencionei nesse post aqui.

Acontece que, apesar de o mercado ser a principal experiência do bairro Albergheria em Palermo – um dos quatro quarteirões históricos, todo o seu entorno chama a atenção pela incrível riqueza. Talvez, seja o bairro mais rico da cidade.

A sua história começa com os fenícios, que fundaram a cidade e ali estabeleceram as primeiras rotas. Antigamente, a cidade possuía um rio, que atualmente é subterrâneo.

Apesar de ser a zona mais antiga da cidade, a sua aparência atual se deve ao período renascentista, quando houve um grande desenvolvimento urbanístico e arquitetônico. O bairro também hospeda o Palazzo Real, que foi residência dos soberanos da Sicília.

Por muitos anos, esse bairro de Palermo foi se degradando, mas nos últimos anos, foi redescobertos pelos sicilianos e passa por restaurações.

No coração dele, fica o Mercato di Ballarò. Ao passar pelo mercado, além de uma experiência gastronômica, se você percorrer mais um pouco o local e prestar atenção, poderá ter uma bela experiência histórica.

O nome vem de uma vila próxima a Monreale, em Palermo, que por sua vez, recebeu o nome de um príncipe da Índia chamado Balhara. O local, que recebia muitas especiarias provenientes de lá, passou a ser conhecido como Mercato di Balhara, que por modificações linguísticas, virou Ballarò.

L'Arco di Cutò

L’Arco di Cutò

É possível acessar o mercado pela Via Maqueda, passando pelo Arco di Cutò. Aqui, já é possível presenciar algo histórico: o Palazzo Filangeri di Cutò, que fica no número 26 da mesma via, onde vivia o príncipe de Cutò.

Daqui, seguindo pela rua Chiappara al Carmine, já é possível ver as barracas do mercado aparecendo lentamente, levando a pessoa aos tempos antigos, pois o mercado permanece praticamente intacto: como era no século X, com toda sua influência árabe.

O mercado funciona das 7:00 às 19:00 e espere um clima bem parlemitano, com muitas vozes, mas também muita simpatia por parte dos vendedores.  E, como grande parte dos mercados italianos, o Ballarò segue o ritmo das estações e da natureza: o que é vendido é o que é produzido no momento, sem apressar nenhum ciclo natural.

O que eu achei bem interessante é que esse mercado tem rifa. Sim, rifa! Todos os dias, um homem vende bilhetes numerados e ao término deles, ele vai para o centro da praça e uma pessoa, selecionada previamente, extrai um número. Os prêmios? Dinheiro ou carne, peixe, queijos – como muitos anos atrás!

Alguns verdureiros vendem também alimentos cozidos, e aos finais de semana, o mercado lota porque as pessoas fazem as compras e também degustam. Além dos alimentos, aos sábados e domingos, tem um mercado de pulgas também. Ele começa a ser montado à uma da manhã, pois os comerciantes querem os melhores lugares, mas abre oficialmente somente às 7:00 e vai até meio-dia.

Chiesa del Carmine

Chiesa del Carmine

Seguindo pela ruela de Collegio di Maria al Carmine, chega-se a Piazza del Carmine, onde fica a igreja do Carmine, que some entre as barracas, restando somente sua cúpula que domina o visual do bairro.

Essa parte da cidade é habitada por muitos estrangeiros que vêm da África, Índia, China e vários outros lugares do mundo.

Mas ao final dessa rua, começa a rua Ballarò que termina na praça de mesmo nome. Um pouco antes dela, porém, existe um beco chamado San Michele Arcangelo, que tem uma igreja de mesmo nome construída no século XII.

A parte interna do mercado é muito rica de monumentos. Alguns foram englobados por outros ao longo dos anos e outras são visíveis apenas parcialmente nos dias de hoje. Uma das mais belas é a igreja de Jesus (Chiesa del Gesù), também conhecida como Casa Professa – este último também é o nome da rua na qual ela se encontra.

Chiesa del Gesù

Chiesa del Gesù

Essa igreja foi inaugurada em 1633 e foi parcialmente destruída por bombardeamentos na Guerra em 1943. Sua fachada é bem simples, mas seu interior é riquíssimo, muito bem decorado em cada centímetro, e com mármores de várias cores.

Palazzo Marchese

Palazzo Marchese

Em volta da igreja, existem ainda um convento e dois claustros, sendo um deles o atual átrio da Biblioteca Municipal.

Por fim, quase voltando para a rua Maqueda, aquele que iniciou a jornada pelo bairro de Albergheria, e após a igreja de Jesus, existe um pequeno prédio chamado Palazzo Marchesi, que inicialmente era para ser uma residência, mas terminou como fortificação. A partir desse prédio (torre) é que os jesuítas conseguiram construir o campanário da igreja.

Um bairro riquíssimo!

Para visualizar todo o percurso mencionado no post a pé no Google Maps, clique aqui. Para ver um vídeo do Mercato di Ballarò, clique aqui.

Sem dúvida alguma, dá muita vontade (mais) de conhecer Palermo com toda sua antiga história e várias influências estrangeiras que moldaram a cidade para o que ela é hoje. O bairro pode não ser tão bonito visualmente, mas tem riqueza histórica de impressionar.

Li também que ele pode ser meio perigoso, então é bom ter um pouco de atenção e cuidado ao caminhar pelas ruas do bairro Albergheria ;)

Adaptado de: Guida Sicilia
Fotos: Bairro Albergheria, Palermo (Reprodução)

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