A Doce Vida na Úmbria

A Doce Vida na Úmbria por Una lucciola...

Depois de passar mil dias em Veneza e outros mil dias na Toscana, o casal Fernando e Marlena de Blasi sentiu que precisavam de um novo capítulo em suas histórias.

A história do livro A Doce Vida na Úmbria, lançado em 2008, se passa, aproximadamente, no começo dos anos 2000 e começa exatamente onde parou seu segundo livro na Toscana. Eles ainda moram no estábulo dos Lucci.

A saga do casal nesse livro começa na busca pela residência ideal em alguma cidade ou vilarejo na própria Toscana ou na Úmbria. Além da dificuldade de encontrar o lugar em si, Marlena não sabe como lidar com os corretores italianos.

Até que um dia, com um corretor indicado por outro casal parecido com eles, Marlena e Fernando encontram o local perfeito para chamar de lar: um salão de baile na Via del Duomo em Orvieto.

O prédio que pertence a família Ubaldini precisava de uma reforma e esta foi bancada pelo casal, que adquiriu a casa como uma forma de empréstimo: poderia ficar ali até quando morressem ou quisessem, pagando todos os meses uma espécie de amortização.

Marlena teve que aprender a dançar conforme a música e a compreender que os tratados selados com apertos de mão pelos italianos valem mais do que os assinados em papéis.

Ela também aprendeu sobre a espera. O que deveria demorar coisa de três meses, demora anos para ficar pronto e enquanto isso, o casal tenta se adaptar à nova cidade, às novas pessoas e conhece os mais diferentes tipos de pessoas.

“Todos nós queremos uma segunda chance, não é, Chou? A segunda vez. Não estou me referindo a um amor. Uma segunda chance para nós mesmos. Uma segunda chance para ser bom. Para fazer direito o que fizemos errado. E não estou falando de arrependimento. Qualquer um pode se arrepender. Acho que é algo mais difícil do que isso. Tentar ver nossas versões jovens como éramos, como achávamos que éramos, tentar renascer como seres mais nobres. É, uma segunda chance para ser bom”.

– A Doce Vida na Úmbria, pg. 271

Para mim é simples: eu amo a forma como Marlena escreve nos apresentando a vida na Itália. Particularmente, gostei muito desse “capítulo” da vida dela, pois ela aborda a difícil missão de ser aceita pelos locais.

Os italianos têm certa resistência aos estrangeiros, isso é bem conhecido. Marlena faz uma reflexão se a questão era o povo de Orvieto ou se ela não estava aberta a eles. Ela acaba encontrando amizade nas pessoas com as mais diversas histórias.

Gosto quando Marlena aborda história das pessoas locais, gente comum, com ótimas e lindas histórias de vida, sofridas ou apenas lutando contra seus monstros e fantasmas.

Um livro delicioso e, como de costume, Marlena nos deixa receitas ao final do livro – e, dessa vez, as receitas de seu famoso banquete, explicada com detalhes e alguns casos, contando suas origens.

Mal vejo a hora de ler seus dois últimos lançamentos e confesso que tenho certo receio de ler os romances de outra americana famosa que aborda a Toscana, a Frances Mayes, e não me adaptar a sua escrita após ter lido a Marlena.

Mas enfim, para quem quiser mergulhar no universo italiano, recomendo muito a leitura dos livros da Marlena! Uma viagem tanto cultural quanto gastronômica.

PS.: aparentemente, o casal Fernando e Marlena de Blasi ainda mora em Orvieto, no mesmo salão de baile, em um prédio medieval na Via del Duomo, mas já não realiza mais os passeios gastronômicos pela Toscana e Úmbria.

Foto: A Doce Vida na Úmbria por Una lucciola…

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2 comentários sobre “A Doce Vida na Úmbria

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