A cidade que morre

Civita é uma fração da cidade de Bagnoregio na província de Viterbo no Lazio. Essa cidade faz parte de uma das mais bonitas da Itália, mencionadas nesse post aqui.

Essa lindíssima cidade foi fundada pelos etruscos, a 443 metros do nível do mar, e surgiu em uma antiga via italiana conectada ao rio Tibre, que era uma grande via de navegação da Itália central, e o lago de Bolsena.

As origens da cidade são antiquíssimas. Foi a abundância de água e a vegetação farta que atraíram as populações em tempos mais remotos. Acredita-se que ela tenha sido habitada desde o século IX a.C., passando depois para domínio Etrusco.

Nessa época, a cidade atingiu seu máximo por conta de sua posição estratégica para o comércio e também graças à sua proximidade com as rotas mais importantes de comunicação da época.

Do período etrusco, uma das construções mais importantes é o chamado Bucaione, um túnel que sai da parte mais baixa da cidade e liga com a Valle dei Calanchi, uma das vales que oferece um dos cenários mais bonitos da região.

Com a chegada do Império Romano, a cidade continuou sendo local estratégico para o comércio, mas foi a própria proximidade das rotas comerciais que decretou a crise da cidade: com a queda do Império Romano, a cidade passou por vários donos (visigodos, bizantinos e longobardos) até que Carlos Magno a libertou e a concedeu à Igreja.

O nome da cidade teria sido derivado de Balneum Regis, que significa “banho do rei”. Esse nome vem de uma lenda de que o local teria sido, já na época romana, uma estação termal, frequentada pelo rei longobardo Desiderio para curar uma grave doença.

Antigamente, eram cinco portas de entrada. Hoje, somente a porta Santa Maria ou della Cava dá acesso a essa antiga cidade. O resto desapareceu em 1695 quando um terremoto provocou um grande deslizamento das partes mais expostas da cidade. Em 1764, outro deslizamento destruiu outra parte da cidade.

Assim começou o declínio da nobre cidade. Por muitos anos, ela permaneceu uma cidade fantasma e hoje ela é ligada a Bagnoregio e ao resto do mundo por conta de uma ponte de aproximadamente 300 metros que liga a Porta Santa Maria, construída em 1965.

Essa ponte era utilizada somente por pedestres, mas hoje algumas bicicletas e motos podem passar em horários determinados. A cidade é habitada pouco mais de 10 pessoas e é totalmente isolada.

A causa desse isolamento é por conta da erosão progressiva da colina e da vala em torno da cidade. A erosão também foi responsável pelo declínio da cidade, mas deu a ela a forma típica pela qual ela é conhecida hoje.

No entanto, a erosão faz com que a cidade corra o risco de desaparecer. Por isso, ela foi denominada (e é assim conhecida) pelo escritor Bonaventura Tecchi, que nasceu na região, como la città che muore, ou seja, a cidade que morre.

Já existe um projeto de restauração, criado por jovens artistas e artesãos, que querem mudar a concepção de a cidade que morre para a cidade que não quer morrer. Este ano, o governo da região do Lazio lançou um apelo para a salvar a cidade.

Dentro da cidade, ainda restam algumas casas medievais intactas, além de algumas igrejas, prédios históricos. Desde junho de 2013, é necessário desembolsar €1,50 para entrar na cidade, uma quantia simbólica provavelmente para manutenção da cidade.

Bagnoregio fica a aproximadamente 130 km de Roma. O tempo de viagem é de aproximadamente uma hora e meia. Lembrando que Bagnoregio ainda fica a quase dois quilômetros de Civita di Bagnoregio, uma fração da cidade.

Para quem quiser ir de trem, as estações mais próximas são a de Viterbo (28 km) e a de Orvieto (21 km), de onde você terá que pegar um ônibus até Bagnoregio. Os ônibus saem praticamente de hora em hora.

Não preciso nem falar, né? Mais uma cidade para minha lista, sim ou com certeza?

Fotos: Civita di Bagnoregio (Reprodução)

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