A tal “Gallina Padovana”

Gallina Padovana

Minha primeira parada na Itália foi na cidade de Padova (Pádua – cidade de Santo Antônio), em 1985. Fui para lá encontrar uma amiga de correspondência, a Gianna.

Imaginava que ela morava na cidade mesmo, não tinha noção dos “paesi” italianos e das peculiaridades desses lugarejos. Então, assim que foi me buscar na estação ferroviária de Padova, a Gianna me levou no seu “Cinquecento” azul claro, velhinho para fora dos limites da cidade de Padova propriamente dita, para a “campagna”.

Fica a uns 15 minutos depois da cidade no sentido do interior. Cada vez mais as construções vão sumindo e as grandes plantações aparecendo: milharal, uvas, soja, até que se chega a Tavo di Vigodarzere, um lugarejo que tem um rua principal, a igreja matriz, umas duas ou 3 lojinhas e mais nada! Ótimo lugar para andar de bicicleta e fazer passeios, longas caminhadas (a não ser pelos cachorros que cismam de nos seguir e que morro de medo).

Uma das primeiras coisas que notei e estranhei é que, você pensa que está na Itália e, portanto, fala-se italiano! Bem, não ali em Tavo, ali se fala VENETO, italiano só com pessoas de outras regiões da Itália, na TV, e na escola durante as aulas talvez. Fora disso, Veneto!

A Gianna e a família falavam em italiano comigo porque eu conseguia entender alguma coisas, agora, tente falar com a avó dela de 80 anos! Nem uma palavra de italiano, não sabe nada, tinha que ter tradução automática! A maioria dos vizinhos com mais idade não falavam italiano.

O Veneto, como me explicou a Gianna, era muito mais parecido com o espanhol do que com o italiano, por causa de uma invasão espanhola, algo assim, durante muito tempo naquela região.

Além disso, algumas peculiaridades da pronúncia, como não pronunciarem o L nas palavras. Isso foi uma das coisas que me chamou atenção quando falavam de uma tal “gaiina padovana”, que vim a saber depois que se trata de um tipo de galinha daquela região, que não tem em nenhum outro lugar.

É uma galinha pequena, com uma penugem muito engraçada ao redor da cabeça. Vendem até lembrancinhas da famosa galinha. Então, toda palavra que tenha L é pronunciada com i; o léxico também é muito diferente, mas com o tempo, e ouvindo o tempo todo o famoso Veneto, e como parece com o espanhol, desde que falem devagar (parla piano que lei capisce tutto!) e com bastante mímica, a gente consegue entender.

Numa próxima vez, falo mais sobre o Veneto e suas palavras e expressões particulares.

Esse post foi escrito pela Teresa, que compartilhará conosco um pouco sobre a cultura italiana, algumas curiosidades, normalmente só sabidas por quem mora ou já morou lá ou quem conviveu muito proximamente dos italianos. Para ler todos os posts escritos por ela, clique aqui.

Foto: Gallina padovana (Reprodução)

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