A Divina Comédia

A Divina Comédia

A Divina Comédia (Divina Commedia), escrita por Dante Alighieri, é um dos poemas mais lidos e famosos do mundo. Acredita-se que ele tenha sido escrito entre 1304 e 1321 (mesmo ano da morte de Dante).

Uma das coisas mais interessantes sobre ela, além do poema em si, é o simbologismo do número 3 que Dante inseriu na história: Inferno, Purgatório e Paraíso; Razão, Humano e Fé; Pai, Filho e Espírito Santo.

Além disso, cada parte do livro é composta por 33 cantos e mais um introdutório em Inferno, somando 100 cantos em 14.320 versos hendecassílabos em terza rima. Os cantos são compostos em tercetos.

Cada um dos lugares se divide em nove círculos (alguns ainda se subdividem), totalizando 27 círculos e o último verso dos três volumes terminam com a mesma palavra em italiano stelle, estrelas.

Também são três os personagens principais: o próprio Dante, representando o homem; Virgílio, representando a razão; e Beatriz, representando a fé.

Originalmente, o livro se chamava apenas Comédia. A partir do século XVI, alguns editores começaram a intitulá-lo assim por conta de Boccaccio. Dante a nomeou assim porque diferente da tragédia, a comédia fala sobre homens comuns, podendo ser uma sátira política ou ideológica. Dessa forma, todos poderiam ter acesso a sua leitura.

O idioma usado originalmente era um dialeto toscano que serviu de base para o italiano que conhecemos hoje. Exatamente por isso, Dante é considerado o pai do italiano.

Abordarei agora cada um dos três livros. Clique no link abaixo para ler.

Inferno

A primeira parte se passa no que seria o conceito medieval do Inferno e Dante é guiado pelo poeta Virgílio. Composto por nove círculos, mencionei o Mapa do Inferno em um post do ano passado. O inferno teria sido criado com a queda de Lúcifer do céu, ele teria caído em Jerusalém, então ali estaria a porta do inferno.

Tornando-se mais profundo a cada círculo, os pecados vão ficando mais graves também. A selva sombria, na qual Dante se perde no início de sua jornada, pode ser uma representação da perdição no pecado. Uma vez perdido, um homem só pode escapar através da razão. Os pecados aumentam de gravidade conforme o nível de conhecimento e também com a idade, pois já é possível discernir o certo do errado.

Purgatório

O Purgatório é considerado a criação mais original de Dante por envolver concepções imaginadas por diversas religiões e, na época em que foi escrito, era um novo dogma da igreja. O espaço fica entre o Inferno e o Paraíso e se encontra numa ilha, também composta por círculos (sete ao total, representando os sete pecados capitais).

Aqui, encontram-se as pessoas que se arrependeram de seus pecados e estão no processo de expiação e no início da subida da montanha, aguardam aqueles que esperam pela permissão de São Pedro. O purgatório também é dividido em baixo, médio e alto, sendo que os mais graves estão no baixo e os mais leves, no alto.

Dante também se despede de Virgílio, seu guia, pois ele não pode entrar no Paraíso. Quem agora conduz Dante é sua amada Beatriz.

Paraíso

A última parte da Divina Comédia é o Paraíso, onde Dante é guiado por Beatriz, o grande amor do poeta. O Paraíso é retratado como um conjunto de esferas concêntricas que cercam a Terra. Beatriz guia Dante por nove esferas celestes. O poeta afirma que a visão que ele recebe do céu é a que seus olhos humanos permitem que ele veja, ou seja, é de fato a visão pessoal do próprio Dante.

A alma que chega ao paraíso, chega na esfera que lhe é aplicável, sendo basicamente baseada na sua capacidade de amar Deus. Todas as esferas são acessíveis, mas algumas almas são mais desenvolvidas que outras, e o que determina isso é somente a sua proximidade com Deus.


O livro é um passeio, um verdadeiro prato cheio para quem ama história e filosofia. É preciso uma bagagem muito rica para poder compreender as diversas mensagens e referências, muitas vezes implícitas. Um verdadeiro deleite.

Dante conseguiu algo incrível, a forma como reuniu teorias, referências culturais, mitológicas, filosóficas e culturais, tudo isso em forma de poesia, em versos bem complexos, é simplesmente de tirar o chapéu e aplaudir de pé.

Confesso que o poema perde um pouco da força inicial em Paraíso, tanto que foi o trecho que mais terminei para terminar. Achei que perdeu um pouco o brilho e o encanto que predominam nos dois primeiros livros. Ainda assim, Dante foi mesmo um gênio.

Agora fica a minha dica de ouro: a edição bilíngue da Editora 34.

Quando me interessei pela Divina Comédia, busquei versões em italiano mesmo. Meu italiano é OK, o que significa que eu consigo me comunicar, ler, ver filmes, entender etc, então estava animada, mas confesso que achei o poema difícil para ser lido apenas em italiano.

Então, busquei edições bilíngues e a primeira que eu vi foi da editora Landmark, que tem uma boa cartela de versões bilíngues (#ficadica). Um volume único que eu quase comprei, mas quis folhear antes porque queria verificar fonte, cor do papel, etc #alocka, rs.

E isso foi ótimo porque estava eu um belo dia de bobeira na Livraria Cultura (paraíso na Terra. Obrigada, Senhor! rs) e esbarrei com a versão da Editora 34. Observei que os volumes eram divididos e que o livro possui notas – NOTAS – do tradutor.

Lembram que eu mencionei ser necessária uma bagagem para entender a Divina Comédia? Então, eu preciso falar: Italo Eugenio Mauro, te amuuu! rs

Traduzir a Divina Comédia não é fácil por vários motivos: rima, métrica, vocabulário. Já trabalhei com tradução, tanto que nem gosto desse termo, prefiro a palavra ‘versão’ porque sempre – SEMPRE – há perda de significado.

Mas o trabalho feito por Italo é de impressionar. Não só ele foi cuidadoso e muito bem sucedido, como suas notas são tipo muito amor! Essa obra é cheia de referências, que podem passar batido, e Italo cuidadosamente indica quais são no final de cada canto. Além disso, ele fez uma pequena introdução antes de cada canto para termos uma geral do que será abordado, o que facilita e muito a leitura.

E eu afirmo que se não fossem essas notas, eu provavelmente teria desistido do livro no terceiro canto, rs. Afinal, minha cabeça já estaria com um enorme ponto de interrogação.

Nenhum dessas edições (Editora 34 ou Landmark) possui ilustrações. Botticelli chegou a fazer algumas, mas as minhas preferidas são as de Gustave Doré (foto) porque achei que captam bem demais a essência da obra. Basta dar uma olhada no Google.

Um clássico não se torna um clássico à toa. A Divina Comédia de Dante merece ser lida e relida… ;)

PS.: no site oficial das duas editoras, as versões custam entre R$84,00 e R$88,00. Aconselho a procurar, pois paguei metade do preço na minha ;)

Foto: Gustave Doré, Inferno, canto XXI (Reprodução)

Anúncios

6 comentários sobre “A Divina Comédia

Comentários

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s