A história da Teresa

Esses dias, recebi um email da Teresa que me contou sua história com a Itália, que começou através de cartas que ela escrevia para uma amiga que morava em Padova. Gostei tanto da história que perguntei para ela se poderia compartilhá-la aqui no blog.

Conheçam a história da Teresa e da Gianna, uma amizade que dura 30 anos:

Minha história com a Itália começou em 1983, quando através de um clube de correspondência, na Finlândia, recebi o endereço de uma menina em Florença para corresponder. Nós nos correspondemos por algum tempo e ela parou de responder às cartas. Resolvi contatar novamente o tal clube informando que a “penfriend” não mais respondia minhas cartas, se poderiam enviar algum outro endereço.

Passado um bom tempo, no final de 84, recebi um carta deles, dizendo que pela minha idade, 21 anos, era difícil conseguir um correspondente, pois a maioria tinha 16/18 anos, mas que eles estavam enviando mais um e esperavam que eu tivesse mais sorte. E assim recebi o endereço da minha amiga Gianna, de Padova (ainda tenho comigo o cartãozinho com o nome dela e endereço).

Escrevi uma carta para ela e recebi resposta! Continuamos trocando correspondência. Eu já trabalhava nessa época e em setembro sairia de férias, iria visitar uns primos que moravam na França, na cidade de Lille. Avisei a Gianna sobre isso, dei até o telefone dos meus primos para podermos nos falar. Quando cheguei em Lille, ela realmente me ligou e me convidou para ir para a casa dela!

Olha só, eu nunca tinha nem saído do Rio, quando mais viajar na Europa sozinha. Mas quando se tem 22 anos, não se tem medo de nada. Meu primo foi comigo comprar as passagens e embarquei num trem noturno de Lille para Milão e de lá trocaria de trem para Padova. Loucura mesmo, quando lembro, sozinha, no compartimento do trem com um pessoal estranho! Mas, complicações a parte, com mala pesada, troca de trem em Milão, consegui chegar a Padova. Desci na plataforma e fiquei esperando, pois só a conhecia de poucas fotos. Quando a plataforma estava completamente vazia, só sobrara eu e uma moça muito alta, a Gianna. Ela chegou perto e perguntou: Teresa?, eu disse sim, ela me abraçou, pegou minha mala e me levou para o estacionamento para o Cinquecento velhinho azul dela!

E assim começou uma história de amizade que dura até hoje. Fui recebida em sua casa com muito carinho, me deram chave da casa. Conheci sua família: seu irmãozinho de 5 anos que muito gentilmente me cedeu o quarto e que ficava todo feliz quando eu o levava na escolinha, e que hoje já está casado e tem uma filhinha linda de dois anos; sua irmã Michela, que hoje tem uma filha de 9 anos; sua mãe e seu pai, que sempre me trataram com filha desde o início. Ainda me lembro da sua mãe me dizendo, no dia que fui embora e chorava tanto: “Niente piangere, Teresa, niente piangere!

Quase 30 anos. Já retornei à Itália quatro vezes, ela já veio ao Brasil duas vezes e em Portugal, quando eu morava lá, uma vez. Minha irmã já passou dois meses na casa dela. Essa família é minha família. Conheci muito da Itália, de  muitas cidades, na companhia da Gianna, conheci muitas coisas que turistas sozinhos não conheceriam, conheci com a visão de dentro, daqueles que são de lá. Só não fui madrinha do seu casamento, porque não tive como ir à Itália na época, mas ela e seu marido são padrinhos do meu filho mais velho, pois vieram ao Brasil por ocasião do seu batizado. Sinto muito carinho por todos eles e de todos eles lá. Esse ano quando cheguei, depois de quase vinte anos, a mãe da Gianna me abraçou forte e disse: “Ah, a minha Teresa, minha Teresa está de volta!”.

Então, falar de Itália é falar de pessoas que adoro, se fosse meu sangue acho que não amaria tanto. De lugares lindos, de história em cada esquina, de comida deliciosa. Sei que tem muitos problemas lá como aqui, mas eu me sinto em casa lá, é como voltar para o lar. Estou aprontando tudo para retornar ano que vem e passar mais um mês, tudo de bom!


Eu adoro essas histórias de amizades e amores que resistem ao tempo e à distância, e de laços que superam os sanguíneos. À Teresa e à Gianna, eu desejo que continuem a escrever essa linda história de amizade, explorando a Itália juntas por muitos anos!

Uma ótima viagem ano que vem, Teresa! :)

Foto: Cartas (Reprodução)

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2 comentários sobre “A história da Teresa

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