Il Grande Torino

Il Grande Torino

Cheguei a esse assunto da seguinte forma: vi fotos da neve em Torino, lembrei de uma música em que Alex Britti menciona Superga (em Torino), digitei no Google “Superga Torino” e vi logo abaixo “strage su Superga (a tragédia de Superga)”, cliquei e assim chegamos ao Grande Torino.

De uma coisa levar a outra nada a ver: prazer, eu! rs

O Grande Torino é como ficou conhecido o time de futebol Torino Football Club na década de 40, considerado um dos maiores de toda história desse esporte. Com cinco títulos nacionais, sendo quatro deles consecutivos (1942/43, 45/46, 46/47, 47/48 e 48/49) e o último deles póstumo, o time ficou conhecido como Os invencíveis.

A representação desse time vai além do futebol. O contexto histórico do qual o time fazia parte era de uma Itália pós-guerra, em ruínas e tentando se reerguer. O Torino, com suas conquistas e seus recordes, colaborou para tornar a reconstrução da Itália um pouco menos difícil, trazendo um pouco de alegria aos trabalhadores.

Além disso, ele permitia que os trabalhadores se vingassem ao menos duas vezes por ano dos patrões, já que o Torino normalmente vencia o Juventus da FIAT (que ironicamente produziu o avião que carregava o time na hora da tragédia).

O Grande Torino também serviria de base para a Copa de 1950 no Brasil. Em 1947, Vittorio Pozzo, comissário do técnico da seleção italiana, vestiu 10 jogadores do Torino com a camisa azul em um jogo contra a Hungria. Eles eram já considerados os futuros campeões do mundo.

Conhecido como i granata (os marrom-avermelhados, cor da camisa do Torino – seus torcedores também são chamados assim), eles possuem outros números interessantes como o 7×0 contra Roma na casa do adversário ou os 10×0 contra Alessandria, as 19 vitórias em 20 jogos em casa (e 39 de 40 pontos conquistados em casa também).

A última partida do time foi em 3 de maio de 1949, quando eles foram até Lisboa jogar contra o Benfica em uma partida amistosa em homenagem ao capitão do time de Portugal, Francisco Ferreira. O time perdeu por 4×3.

O trimotor FIAT G.212 decolou de Lisboa às 9:40 na quarta-feira de 4 de maio de 1949. Às 13:00, os voo chegou ao aeroporto de Barcelona e o time ainda almoçou com o time do Milan. Às 14:50, o avião partiu em direção ao aeroporto de Torino.

Às 17:05, sob forte nevoeiro e chuva, o trimotor se chocou, por um erro de cálculo do piloto, em uma das muralhas posteriores da Basílica de Superga, que se encontra a mais de 600 metros de altura, matando na hora as 31 pessoas que estavam a bordo: os 18 jogadores, 3 dirigentes, 3 treinadores, 3 jornalistas esportivos e 4 tripulantes.

Quem teve a dura missão de reconhecer os corpos foi Vittorio Pozzo, a mesma pessoa que havia levado 10 jogadores do Torino para a seleção italiana.

O próprio Pozzo escapou da tragédia porque o time preferiu levar outro jornalista em seu lugar. Outros jogadores também não embarcaram, fosse por lesão, doença ou passaporte vencido. Um deles, o goleiro reserva, cedeu lugar ao terceiro goleiro, Dino Ballarin, irmão mais novo do lateral Aldo, e que só foi chamado ao time por intervenção do irmão.

Os funerais foram realizados no dia 6 de maio de 1949, partindo da Piazza Castello e passando pelas principais ruas de Torino, sendo acompanhado por cerca de 500 mil pessoas. Dos 18 jogadores, oito estão enterrados no cemitério da cidade.

O Torino foi proclamado vencedor do campeonato de 1948/49, faltando quatro rodadas para o fim do campeonato. Nos jogos restantes, a equipe do Torino decidiu escalar os jogadores juvenis. Os times adversários seguiram esse exemplo e fizeram o mesmo.

Após a tragédia, i caduti di Superga (os caídos de Superga) foram homenageados por todo mundo e a FIFA ordenou um minuto de silêncio em todos os campos de futebol. Tanto na Argentina quanto no Brasil, foram realizados jogos para beneficiar as viúvas e os órfãos das vítimas envolvidas no desastre aéreo.

A tragédia aérea chocou tanto, que a seleção italiana viajou de navio até o Brasil para disputar a Copa do Mundo, com medo de um novo acidente.

O Torino entrou em decadência depois e só venceu um campeonato novamente em 1976, quase 30 anos depois.

O Grande Torino recebeu homenagens de todas as formas possíveis: poesias, ensaios, livros (são pelo menos cinco contando a história do time), filme (Ora e Per Sempre, lançado em 2005), documentário (luso-italiano Benfica-Torino, 4-3, lançado em 2013), série de TV e, por fim, os vários estádios nomeados com os jogadores (Chioggia, Brescia, Vicenza, Giulianova, Varese, Sant’Arcangelo di Romagna, Mantova, Trieste, Castellammare di Stabia, Lecco, Luserna San Giovanni e Taranto).

O estádio Flaminio de Roma é dedicado ao Grande Torino também. Os estádios de Milano, Savona, San Benedetto del Tronto, San Cataldo e San Prisco também recebem nomes em homenagem ao time ou jogadores. Alguns outros estádios pela Itália possuem monumentos para i caduti.

Ironicamente, o Torino era um dos únicos times a usar avião para as transferências mais longas, mesmo com a maioria dos jogadores e, principalmente, o treinador Ferrero não gostando tanto assim de voar por medo. Além de evitar a fadiga do time, usar o aéreo dava a ideia de uma sociedade moderna.

Ainda hoje, o país organiza eventos para não deixar que a memória desse time fantástico caia no esquecimento. Aparentemente, a parte atingida pelo aéreo na Basílica de Superga nunca foi restaurada.

Foto: Il Grande Torino (Reprodução)

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