Os campeões de Sanremo 2015

Il Volo, campeões de Sanremo 2015

Sábado, noite de carnaval e o que você faz?

(a) assiste o desfile das escolas de São Paulo;
(b) acompanha o carnaval de Salvador;
(c) pula carnaval;
(d) customiza seu abadá;
(e) n.d.a.

Alternativa e: prazer eu.

Eu estava na paz sagrada do lar, acompanhando o Festival di Sanremo. Esse ano, resolvi acompanhá-lo bem pertinho por motivos de: Alex Britti, rs.

Brincadeira. Alex foi, sim, um grande motivo para acompanhar o Festival, mas outros nomes me interessavam também, como Nek, Nina Zilli, Bianca Atzei, Annalisa, Malika Ayane e a parte de novas propostas, que sempre surpreende.

Apesar de ser a edição mais assistida dos últimos 10 anos, achei o Festival meio morno.

O campeão, ou melhor, os campeões foram os rapazes do trio Il Volo. Eu devia ter apostado dinheiro (muito) na vitória deles. Cantei a bola antes mesmo do anúncio final. E, sendo bem sincera, a classificação final não me surpreende porque, com raras exceções, vemos uma classificação de popularidade.

Comecemos com os três primeiros colocados.

Il Volo se apresentou com a canção Grande Amore. Uma boa música? Sem dúvidas. Vocais afinados? Com certeza. Mas para mim não foi a melhor apresentação, o trio ganhou na popularidade. A música também foi escolhida para representar a Itália no Eurovision Song Contest (provavelmente por motivos de: popularidade).

Nek, o segundo, cantou Fatti Avanti, Amore. Eu gosto muito de algumas músicas dele, mas não acompanho a carreira. Fui surpreendida com uma música, ao meu ver, dance. Nek pode ter ficado com o segundo lugar, mas ganhou outros três prêmios: de melhor arranjo, o prêmio Lucio Dalla e o de melhor cover, Se Telefonando da Mina (e tenho que dizer: foi uma apresentação do car*lho).

Malika Ayane ficou em terceiro com Adesso e Qui (Nostalgico Presente) e, gente, eu acho que essa mulher tem uma voz incrivelmente linda. Totalmente afinada com uma música fazendo jus à sua voz. Para mim, melhor que os campeões. Lamento ter ficado em terceiro porque achei a melhor apresentação de todas: voz, melodia, presença – tudo perfeito (levou o prêmio da crítica).

Agora, os outros finalistas (13 ao total):

Eu gostei muito da música da Annalisa (4º lugar), Una Finestra Tra Le Stelle, achei muito ela (nada forçado, extremamente diferente do que ela usualmente canta). O dueto de Grazia Di Michele e Mauro Coruzzi (16º), Io Sono Una Finestra, é uma delícia – achei clássico, meio vintage, muito gostoso de se ouvir – posição injusta, para mim.

Eu me surpreendi com a apresentação do Nesli, que é um cantor rap, mas cantou uma música relativamente romântica, Buona Fortuna, Amore – para mim, uma das melhores apresentações (e ele amargou o 13º lugar). Quem cantou rap mesmo foi Moreno (15º) com Oggi Ti Parlo Così, não curto rap, mas achei uma boa performance.

A banda Dear Jack cantou Il Mondo Esplode Tranne Noi. Ficaram em 7º lugar. A música é OK. Meu amado Alex Britti amargou um 11º com Un Attimo Importante. Quando ouvi a primeira vez, achei fraca – gosto mais dela agora depois de ter ouvido mais vezes -, não era uma música para o Festival. Ainda assim, achei melhor que algumas apresentações que ficaram acima.

Gianluca Grignani (8º) cantou Sogni Infranti, uma boa apresentação, mas não me surpreendeu. Chiara (5º) cantou Straordinario, melodia e letra bonitas, mas que de extraordinária, só o nome – fora que: Chiara tem potencial vocal para fazer melhor. Marco Masini ficou logo atrás de Chiara na classificação com Che Giorno È e foi uma das minhas apresentações preferidas (merecia, pelo menos, ficar na frente da Chiara).

Nina Zilli (9º) deu o toque soul/blues ao Festival com Sola. Bato na tecla: QUE VOZ! Uma das que correspondeu às minhas expectativas. Gostei muito! Irene Grandi (12º), Un Vento Senza Nome, escolheu uma música muito bonita, clássica, como ela.

Encerrando a parte de finalistas, ainda tivemos Lorenzo Fragola (10º), que cantou Siamo Uguali e me surpreendeu – uma música bem gostosa, bem pegajosa (mas achei que ele deu umas desafinadas) e uma das minhas preferidas; e Bianca Atzei (14º), outra que eu amo a voz, cantou Il Solo Al Mondo, mas achei uma escolha ruim.

Por fim, os eliminados na quarta noite (quatro):

Lara Fabian (belga com cidadania canadense) cantou, fora de tom (abaixo ou acima, não sei. Só sei que estava difícil de terminar o vídeo – aliás, não terminei, pulei para o próximo), a música Voce e não me surpreendeu ela ser uma das primeiras eliminadas. Fraco.

Anna Tatangelo cantou Libera e confesso que eu amei a performance (delicada e doce). Uma pena ter ficado de fora da final, de verdade. Raf se apresentou com Come Una Favola, também achei fora de tom, mas que música linda (arrisco a dizer a mais bonita)!

Biggio e Mandelli apresentaram Vita d’Inferno, de longe, a proposta mais diferente de todas as apresentações e posso ser sincera? Eu amei! Simplesmente demais (para o que eles se propuseram). Lamento muito terem sido eliminados.


Na categoria de Novas Propostas, eu só vi a final entre Giovanni Caccamo e a banda KuTso. Propostas completamente diferentes. Caccamo toca piano e partiu para o romântico (e, sim, eu me a-pai-xo-nei por ele, coisa linda de meu Deus!) enquanto a banda fez todo mundo dançar (amei a presença de palco do vocalista).

Eu não consegui ver as outras apresentações, mas só pelo que eu vi desses dois finalistas, eu gostei muito. Quero acompanhá-los mais de perto e quero ver as outras apresentações porque podem ser ótimas descobertas.


Quando digo que achei o Festival morno é porque achei quase todas as propostas parecidas em melodia. Os que propuseram algo um pouco diferente: Nek, Biggio e Mandelli, Moreno e a Nina Zilli.

Eu lamento muito o terceiro lugar da Malika, algumas eliminações e algumas classificações. Eu insisto: não gosto do voto popular ter uma porcentagem tão alta porque ele não significa qualidade, mas quantidade (basta ver quem ficou com o prêmio da crítica). E não sei se concordo com esse segundo lugar do Nek também.

Enfim, apesar de ter achado morno no sentido de propostas diferentes, o Festival teve muita apresentação boa e ótimas surpresas. Para quem quiser conferir todas as apresentações e outros vídeos, visite o site oficial do Festival.

PS.: título do post escolhido na noite anterior à final – sério! rs

Foto: Il Volo, campeões de Sanremo 2015 (Reprodução)

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7 comentários sobre “Os campeões de Sanremo 2015

  1. Debora disse:

    Il Volo mereceu e muito ganhar.Como eles ganharam na popularidade se mal são conhecidos por lá? Antes de Sanremo, lógico. Tenho amigos brasileiros que moram na Itália e tenho amigos italianos e eles mal ouvem falar ou nunca ouviram falar sobre Il Volo. Eles são totalmente apagados por lá, por enquanto. Então chego a conclusão que sim, mereceram ganhar e merecem ganhar muitos prêmios durante suas carreiras. São super jovens, vozes magníficas, espetaculares e ainda seguem um estilo musical no qual muita gente coloca o rótulo de “música de velho”. Ou seja, eles podem ter ganhado por tudo, menos popularidade.

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    • Isabela disse:

      Olá, Débora.

      Eu reconheço o grande trabalho que o trio fez pela música clássica. Eles a repaginaram e a tornaram acessíveis a muita gente, principalmente jovens.
      Não desmereço a vitória deles, acredito que ainda assim, foi uma boa escolha. Apenas acredito que Malika tenha se saído melhor por um conjunto de fatores e Il Volo ganhou, sim, por conta do voto popular. Eles podem não ser conhecidos por todos os italianos, mas os que conhecem, com certeza votaram em peso: a diferença na porcentagem foi gritante.

      Agradeço a visita e sua delicadeza no comentário. Pensei muito antes de publicar o post porque sabia que alguns fãs ficariam exaltados (como ficaram e me xingaram).

      Abraços!

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  2. Laís Chiarato disse:

    Olá, Isabela, tudo bem?
    Não conhecia o blog, cheguei até ele através das páginas de Il Volo.
    Respeito sua opinião quanto a não achar que os meninos fizeram a melhor performance (apesar de discordar), mas vejo que você disse que a música é boa e que os vocais são (inegavelmente) afinados. Você finaliza, então, dizendo que ganharam por popularidade.
    Acompanho os meninos diariamente desde 2012 e se tem uma coisa que eles não possuem na Itália é popularidade.
    Nós, fãs, vimos nossos meninos se apresentarem em um concerto na Itália pela primeira vez em julho do ano passado, apesar de terem cinco anos de carreira. E isso foi somente depois que ganharam os Prêmios Billboards de “Melhor dupla ou grupo”. Na minha visão, a Itália precisou de um troféu que dissesse que eles eram bons o bastante para começarem a prestar atenção no trabalho deles, quando o resto do mundo já sabia disso há uns bons anos. Até uns tempos atrás, podíamos ver os meninos lacrimejarem quando falavam sobre “sucesso” e “Itália” na mesma frase. Foi doído para eles verem que, em sua própria terra, não os reconheciam ou achavam que era mais do mesmo, o que aconteceu com outros artistas italianos também.
    Os votos, como você deve ter visto, eram restritos à Itália, pouco podemos fazer para ajudar (fãs de outros países).
    Então, foi a própria Itália, país no qual eles ainda não são populares (fã clubes e apoiadores italianos surgiram somente após julho/2014) e não atingiram o que pretendem (em relação a público/fãs) que votou a seu favor. Nek, por exemplo, é mais popular que eles e já foi terceiro colocado da categoria “Jovem” de Sanremo, em 1993.
    Como disse a Débora no comentário acima, eles podem ter ganhado por qualquer coisa, menos por popularidade.
    Popularidade esta, inclusive, que eu e os fãs do Brasil esperamos que aconteça logo, pois nada mais seria que reconhecimento pela incrível qualidade musical.
    Aplaudo de pé meus meninos, com muito orgulho, pois sei do merecimento do real talento e da competência indubitável.
    Ademais, gostei do blog e da postagem como um todo, bem informativos.
    Saudações!

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    • Isabela disse:

      Olá, Laís!

      Obrigada pelo comentário educado. Em nenhum momento do post, e acredito que isso tenha ficado claro, eu desmereci ou falei mal do trio. Como disse na resposta ao comentário da Débora, eu reconheço a importância deles na música e na divulgação da música clássica: eles a tornaram muito acessível.

      Sim, eu sei que eles não são totalmente conhecidos na Itália, mas o que garantiu a vitória foi mesmo o voto popular. A diferença foi gritante (56% contra 33% contra 11% – isso está estampado no vídeo que eles fizeram a apresentação final, depois de anunciada a vitória). Nek fez uma ótima apresentação, mas não sei se merecia estar no pódio e Malika venceu o prêmio do júri – presumo, então, que o que gerou esse pódio, foi o voto popular – provavelmente, o voto entre os jurados foram muito próximos e o que “desempatou” foi o público.

      Como fã de música que sou, fico feliz por ter tido gratas surpresas ao longo do Festival. O maior campeão foi o público: tivemos ótimas apresentações e músicas. E como fã também de cantores, eu também quero e gosto quando o trabalho de nossos ídolos é reconhecido. Espero que essa vitória de Sanremo seja a porta de abertura para o sucesso que Il Volo merece porque talento, eu sei que eles têm de sobra ;) – novamente, não disse que a canção era ruim nem que eles estavam desafinados, mas, ao meu ver, a Malika teve um todo melhor.

      Mas também acho que é importante levar em consideração que isso é um blog pessoal e minha opinião representa apenas a mim e meus gostos pessoais :)

      Agradeço a visita e desejo muito sucesso ao trio, de verdade!

      Abraços!

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