Le Maschere Veneziane

As máscaras de Veneza por Una lucciola...

“Bom dia, senhora máscara!”

Ao longo dos canais e ruas, aquela era a saudação: a identidade pessoal e o gênero não existiam mais, entrava-se, então, na grande festa do Carnaval, um lugar onde tudo pode acontecer e cada olhar encanta.

As máscaras eram permitidas desde o dia de Santo Stefano, que marcava o início do carnaval veneziano até à meia-noite da terça-feira gorda, que finalizava as comemorações.

Mas não somente no carnaval elas eram utilizadas.

Elas também eram permitidas durante os 15 dias da Ascensão e alguns, com exceção, as utilizavam até a metade de junho. Além disso, em algumas ocasiões como banquetes oficiais ou Festa da República, era permitido o uso do Tabarro e da Bauta.

A Bauta é composta do tabarro, que nada mais é que um manto preto, um chapéu preto e uma máscara branca chamada larva, derivado do latim que significa “fantasma” ou mesmo “máscara”.

Já as mulheres usavam uma máscara denominada Moretta, oval e de veludo preto. Uma moda importada da França que rapidamente se espalhou por Venezia. Também é uma máscara muda, já que por dentro, na altura da boca, ela possui uma espécie de botão.

Outras máscaras venezianas usadas pelo povo eram o Bernardone (ou Bernardon), que fingia ser um doente e usava muleta, e a Gnaga, um homem vestido de mulher. O Mattaccino era um palhaço que jogava ovos cheios de perfume nas pessoas que ficavam nas sacadas.

Já entre a máscara mais bizarra, sem dúvidas, está a do Medico della Peste, reconhecível pelo longo nariz. Originalmente, ela não era uma máscara, mas uma proteção aos médicos que cuidavam dos enfermos dessa doença.

Das máscaras mais famosas está, certamente, a do Arlecchino. Outra muito conhecida também é a do Pantalone, um personagem velho, esperto e avarento – ele representa, em forma de farsa, o caráter dos mercantes de Venezia que contribuíram para a riqueza da cidade.

Uma roupa típica que acompanha as máscaras venezianas é uma roupa branca com listras verdes chamada Brighella.

Durante o Carnaval, era permitido qualquer tipo de transgressão, e o uso das máscaras, seja a Bauta quanto a Moretta, garantiam o anonimato. Até mesmo padres e os monarcas se aproveitam das máscaras para fugas amorosas.

Na cultura veneziana, o termo “maschera” era o apelido dado aos homens que se travestiam de mulher e as mulheres que se travestiam de homem. Logo, a máscara se tornou um símbolo da liberdade e da transgressão de todas as regras sociais impostas pela Serenissima (antiga República em Venezia).

Para impedir a decadência moral dos venezianos, a Serenissima passou a instituir um regulamento no uso das máscaras e dos trajes a partir de 1514. Ficou proibido usá-las fora do período de Carnaval, por prostitutas e homens que frequentavam os bordeis.

Quando a República caiu, o Governo Austríaco não permitiu mais o uso das máscaras, a não ser para festas particulares, e o Carnaval veneziano passou por uma fase de decadência. Somente durante o segundo Governo Austríaco, foi permitido novamente o uso das máscaras durante o Carnaval.

As máscaras eram feitas por artesãos chamados “mascareri”, que possuíam até mesmo um estatuto. Atualmente, existem centenas de lojas que vendem as máscaras venezianas, mas são pouquíssimas aquelas que possuam mascareri que trabalham à antiga: com o papel machê.

Por conta da qualidade e do trabalho empregado na elaboração das máscaras, os preços podem variar bastante. A maioria, no entanto, é made in China e feita de plástico: o que para uma lembrancinha pode bastar, mas caso queira uma legítima, é necessário paciência na busca (e algumas centenas de euros, sem dúvida).

… … … … …

Eu não sei vocês, mas eu sou apaixonadas pelas máscaras venezianas, uma mais linda que a outra. Próxima missão impossível da vida: comprar uma de papel machê (e lá se vão €100/200)! rs

Fotos: Máscaras venezianas (Reprodução)

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