Divórcio à Italiana

Divórcio à ItalianaO filme de 1961 de Pietro Germi, Divórcio à Italiana (Divorzio All’Italiana) se passa em uma cidade hipotética da Sicilia chamada Agramonte.

O personagem principal da trama é o barão Ferdinando Cefalù, Fefè, interpretado por Marcello Mastroianni. Apesar da família não ter a fortuna de antes, eles ainda são barões e, portanto, respeitados. Fefè é casado há 12 anos com Rosalia (Daniela Rocca) e acaba se apaixonando por sua prima de 16 anos, Angela (Stefania Sandrelli).

Simples: basta se separar e casar com a prima. Porém, na década de 60, o divórcio não era permitido na Itália.

Depois de uma mulher ter matado seu marido, ao pegá-lo em flagrante com a amante, e ter justificado seu ato como um crime de honra (previsto pelo código penal da época), o barão começa a pensar em várias formas de fazer com quem sua mulher arrume um amante para flagrá-la e então matá-la, justificando o crime como uma tentativa de proteger sua honra.

Assisti esse filme na retrospectiva de Pietro Germi que aconteceu no MIS nesse último feriado.

O que dizer de Marcello Mastroianni nesse filme? Sua atuação está simplesmente sensacional como o barão e anti-herói da história – afinal, de bom moço, o personagem não tem nada. Louvável também a atuação de Daniela Rocca que faz a esposa chata, melosa, grudenta que quase (e veja, eu disse quase) justifica mesmo o crime que o marido quer cometer.

Essa foi a primeira comédia de Germi e o filme é considerado o melhor do diretor. De fato, é uma comédia com humor negro que retrata muito bem a Sicilia dos anos 60: machista e moralista (na verdade, me pergunto o quanto esse cenário mudou em quase meio século. Acredito que não muito), onde ser corno era o pior que podia acontecer a um homem ao ponto de ter que limpar a honra com bala.

O filme é um clássico. Levou o Globo de Ouro de Melhor Ator para Mastroianni. No Festival de Cannes, foi eleito a Melhor Comédia, e também conseguiu três indicações ao Oscar (um grande feito para um filme não americano na época): Melhor Diretor, Melhor Ator e Melhor Roteiro Original (esse último, o filme levou).

Sim,  Mastroianni está impecável no papel. E também vale só para ver a referência – diria eu, genial – ao filme A Doce Vida de Fellini, também protagonizado pelo próprio Marcello.

Para assistir e rir, sem dúvidas!

Foto: Divórcio à Italiana (Reprodução)

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