I Navigli

I Navigli, MilãoTive uma professora de italiano (beijos, Francesca!) cuja família era de Milano. Comentei com ela que não curti muito a cidade quando visitei na primeira vez que eu fui. Ela, que obviamente, era apaixonada pela cidade, defendeu, dizendo que você encontra pequenos universos ao longo da cidade, é como se fossem várias cidades em uma e me comentou sobre um lugar chamado Navigli. Um lugar tão peculiar, que nem parecia fazer parte da capital da moda.

E assim começa mais uma saga: a dos lugares que eu ainda vou visitar na Itália.

Os navigli nada mais são do que canais navegáveis que ligavam Milano com o lago Maggiore, o de Como e o rio Ticino, que serviam de entrada para a capital lombarda vindo da Suíça, Europa norte ocidental e oriental, e que terminavam por ligá-la até o rio Pó e, por fim, o mar. A construção desse sistema inteiro aconteceu entre os séculos XII e XIX. Esse sistema permitiu que Milano se tornasse a cidade industrial e comercial que é hoje, pois à beira dos canais viviam trabalhadores e artesãos.

Fazem parte do sistema milanês os navigli: Grande, Pavese, Martesana, Paderno e Bereguardo.

O primeiro canal a ser construído foi o Grande, em 1179. Para época, o sistema de construção das comportas dos canais foi considerado inovativo e a ideia só poderia ter partido de ninguém menos que o grande Leonardo da Vinci.

Em 1457, Francesco Sforza entregou a Bertola a construção do Naviglio della Martesana. Em apenas 35 anos, foram construídos 90 km de canais navegáveis, o que nenhuma outra cidade tinha conseguido até então. O sistema foi aperfeiçoado por Leonardo, que implementou um novo sistema de canais que permitiu a navegação de Valtellina até à capital. Logo depois, Leonardo foi encarregado a estudar um sistema que permitisse a ligação de Milano até Como.

O pintor e engenheiro Giuseppe Meda foi quem pensou na solução para o desnivelamento de quase 24 metros em Paderno, conseguindo, dessa forma, terminar o Naviglio di Paderno. A dificuldade foi tanta para realizar a obra que os trabalhos que começaram em 1591 foram interrompidos e só foram continuados dois séculos depois em 1773 e completados em 1777.

Em 1805, Napoleão terminou a construção do Naviglio Pavese e realizou o sonho de vários milaneses: o mar poderia ser alcançado através do Naviglio Pavese e o rio Pó, o lago Maggiore através do Naviglio Grande e o rio Ticino, e o lago de Como através do Naviglio della Martesana e o Adda.

Com o passar dos anos, a utilização dos canais caiu. No século XIX, a preferência foi para as ferrovias, visto que pelo sistema fluvial era tudo muito lento. Com a chegada dos automóveis, os navigli caíram no abandono: a água passou a ser utilizada pelas indústrias que acabaram por polui-la.

Existe um projeto da Faculdade de Arquitetura do Politécnico de Milão, que aconteceu entre 2008 e 2010, para a reabertura dos navigli, que também prevê a abertura de um novo canal. Um livro chegou a ser publicado (Riaprire i Navigli si può).

Atualmente, os navigli abrangem grande parte da vida noturna de Milano. É muito comum as pessoas irem lá no final da tarde ou à noite para um happy hour, tomar um aperitivo. Marcam presença por lá não só músicos e universitários, mas também artistas e modelos. Foi esse local que serviu de inspiração para Alex Britti escrever sua música Milano.

Para chegar até os famosos canais que quase lembram Veneza, existem duas formas: uma mais glamourosa e outra menos.

A menos glamourosa é pegando a linha verde do metrô e descendo na Porta Genova ou com o ônibus 94 ou 3. A forma glamourosa (e a que eu pretendo fazer se Deus me permitir voltar a Milão, rs) é a pé, rs. Partindo da Piazza del Duomo, pegue a Via Torino (de costas para o Duomo, à esquerda) e siga reto até a Colonne di San Lorenzo (em frente a Basilica dele também). Vire à esquerda e passe pela Piazza della Vetra, siga reto descendo pelo parque delle Basiliche, siga até o Viale Gabriele D’Annunzio. Você chegará ao Darsena del Naviglio, perto da Porta Ticinese. Pronto, os navigli começam aqui.

A ideia é mais ou menos essa aqui (clica para ver no Google Maps), são cerca de 4 míseros quilômetros, que com certeza você nem vai perceber porque vai estar ocupando observando a paisagem.

Outra dica de utilidade pública é esse site aqui, onde você encontra bares, restaurantes, gelaterias, pizzarias e tudo de melhor que os navigli têm a oferecer.

E terminando esse post, fica apenas a minha vontade louca de dizer adeus aos amados e #partiuNavigli. A vida pode ser muito cruel às vezes, rs. Eu diria que é uma dica imperdível para quem vai a Milão.

Foto: Naviglio Grande (Reprodução)

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