Uma Vida Comum

Uma Vida ComumSessão cinema está pegando fogo! rs Estou aproveitando as noites de folga para colocar alguns filmes em dia (tem mais dois posts prontos) – e como eu AMO isso! rs

Uma Vida Comum (Still Life) não é em italiano, mas foi dirigido por um, Uberto Pasolini, e é uma produção ítalo-britânica (os créditos são todos em italiano). Ele foi apresentado pela primeira vez na 70ª Mostra Internazionale d’Arte Cinematografica di Venezia em 2013 e ganhou o prêmio de Melhor Direção na categoria “Orizzonti”. No ano seguinte, levou o Globo de Ouro de Melhor Fotografia.

O filme retrata a vida de John May (Eddie Marsan), funcionário público que busca encontrar parentes ou amigos de pessoas que morreram sozinhas. Caso não encontre ninguém, ele mesmo prepara o funeral com todo o cuidado e, juntando as lembranças que foram deixadas nas casas dessas pessoas, ainda escreve um texto sobre ela.

Enquanto trabalha no caso de Billy Stoke, que morava na janela exatamente em frente a sua, John recebe a notícia de que o departamento está passando por corte de gastos e ele é mandado embora após 22 anos de serviço, mas lhe é permitido terminar o caso. Descobrir o passado de Stoke parece ser a faísca que faltava na vida metódica de May e ele acaba levando seu último caso em frente de forma mais pessoal do que profissional.

Acho que o grande trunfo desse filme é exatamente o que o título diz: o comum. John May pode ser qualquer um e qualquer um pode ser um dos mortos que ele cuida com tanto zelo.

A simplicidade da história me tocou, a atuação de Eddie Marsan em um inexpressivo, mas ao mesmo tempo tão vivo e tão real John May é louvável. Eu acho muito difícil não se deixar envolver na história, não se identificar em algum ponto, não querer continuar investigando com May e não ficar feliz com a mudança de vida que seu último caso proporcionou.

O final um tanto quanto irônico e até um certo ponto meio clichê ainda assim conseguiu arrancar muitas lágrimas dos meus olhos, acho que porque de certa forma aborda esperança, o reconhecimento dos nossos atos.

Toca fundo o extremo cuidado, nos detalhes, de John com cada funeral, sua esperança de que alguém – parente ou amigo – possa ser encontrado para estar presente nesse momento tão delicado. É muito comum não dar valor a pequenas coisas ou esquecermos de sua importância, como o comentário do chefe de John que diz: “para quê gastar tanto no funeral de uma pessoa que ninguém vai sentir falta?”, e é tendo uma postura oposta a essa que John cativa.

A frase no cartaz do filme não poderia ser mais precisa: “John May è un uomo speciale“, John May é um homem especial.

O filme encontra-se em cartaz no Cinesesc em São Paulo até dia quarta-feira, dia 9 (clique aqui para ver o horários).

Foto: Uma Vida Comum (Reprodução)

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